O deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Eduardo Bento da Silva (PL) explicou a origem, a data e a forma do saque dos R$ 1,51 milhão apreendidos pela Polícia Federal em sua residência, em Natal. Ainda não informou, porém, a finalidade de retirar a quantia e mantê-la em espécie dentro de casa durante 68 dias.
“Hoje houve uma operação na minha casa e foi apreendido R$ 1.510.000, dinheiro sacado da minha Previdência, e o saque foi feito no dia 8 de julho, um saque único”, afirmou. Luiz Eduardo disse que o valor permaneceu intacto e acrescentou: “Eu não conheço nenhuma lei que proíba você guardar dinheiro em casa”.

O caso envolve quatro questões: origem do dinheiro, forma da retirada, finalidade do saque e declaração do valor à Justiça Eleitoral. O deputado respondeu às duas primeiras. Disse que o recurso saiu de sua previdência e foi sacado de uma vez, mas não explicou para que precisava de R$ 1,51 milhão em espécie nem por que preferiu mantê-lo fora do sistema bancário.
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Ao negar que tenha feito saques fatiados para “ludibriar” o Banco Central e o Coaf, Luiz Eduardo reforçou que houve uma única operação. Isso pode facilitar o rastreamento bancário, mas não esclarece a destinação planejada para o dinheiro.
A defesa classificou a movimentação como “lícita, declarada e de origem plenamente comprovada” e afirmou que apresentará documentos às autoridades. Sustentou também que o dinheiro não foi gasto, o que afastaria finalidade eleitoral. A versão responde à suspeita de caixa dois, mas não indica o objetivo inicial do saque nem em qual documento ou órgão a movimentação teria sido declarada.
Ao TSE, Luiz Eduardo declarou patrimônio total de R$ 1.343.782,02, sem dinheiro em espécie. O valor encontrado supera essa soma em R$ 166.217,98. O item mais próximo da origem alegada é um Brasilprev VGBL de R$ 719.951,51, R$ 790.048,49 abaixo do saque informado.
A diferença não comprova irregularidade: o saldo pode ter mudado entre a data de referência da declaração e o resgate, ou o recurso pode ter saído de outra aplicação. O deputado não especificou o plano nem divulgou extratos que mostrem os saldos antes e depois da retirada.
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Segundo Luiz Eduardo, o saque ocorreu em 8 de julho e o dinheiro ficou na residência até 14 de setembro. Nesse intervalo, ele registrou a candidatura, apresentou a relação de bens e iniciou a campanha. Um saque não elimina um bem; transforma saldo financeiro em dinheiro disponível. Extratos e documentos eleitorais permitirão verificar como o recurso foi registrado.
A Operação Sem Lastro investiga indícios de falsidade ideológica eleitoral e possível uso de recursos não declarados em campanha. Dois mandados foram cumpridos em Natal, com apreensão de dinheiro, celulares, documentos e equipamentos. A PF não identificou Luiz Eduardo, os endereços das buscas nem o valor recolhido em cada local. O próprio deputado confirmou que sua residência foi alvo e declarou ser dono dos R$ 1,51 milhão.
A corporação mencionou “saques”, no plural, feitos por um servidor do RN, enquanto Luiz Eduardo afirmou ter realizado uma retirada. Como a nota não identifica o investigado, não é possível afirmar apenas com o material divulgado que as referências tratam da mesma movimentação.
Não há indiciamento, denúncia do Ministério Público ou decisão judicial que reconheça falsidade ideológica eleitoral ou caixa dois por Luiz Eduardo. Manter dinheiro em casa também não é crime por si só. A origem, a diferença entre os valores e, sobretudo, a finalidade do saque dependerão do confronto entre a versão do deputado, os documentos bancários, a declaração de bens e o material apreendido.