BUSCAR
BUSCAR
Sessão no STF

Nunes Marques se declara impedido e Toffoli suspeito em julgamento sobre Moraes

Presidente do TSE citou impacto do caso Master nas eleições; Toffoli afirmou que se afasta por foro íntimo, mas permanecerá no plenário
Agora RN
15/09/2026 | 12:04

Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não participarão da votação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master. Nunes Marques declarou impedimento, enquanto Toffoli alegou suspeição por motivo de foro íntimo.

A sessão plenária foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para analisar documentos e mensagens relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Com os dois afastamentos, a decisão será tomada pelos demais ministros aptos a votar.

Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, ministros do Supremo Tribunal Federal
Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, ministros que deixaram de votar na sessão sobre Alexandre de Moraes. Fotos: Gustavo Moreno/STF e Rosinei Coutinho/STF

Nunes Marques cita presidência do TSE

Nunes Marques afirmou que não se sentia confortável para integrar o julgamento por presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por considerar que o caso Master tem repercussão no processo eleitoral. “Não me sinto confortável para participar desse julgamento”, declarou.

Após formalizar o impedimento, Nunes Marques deixou a sessão e não participou do restante do julgamento.

O ministro também pediu a palavra para negar vínculos com Vorcaro. Disse que nunca trocou mensagens com o ex-banqueiro, que não julgou processos relacionados ao Banco Master e que seu filho não prestou serviços nem recebeu remuneração do banco.

Nunes Marques afirmou ainda ter “absoluta isenção” e citou que votou pela manutenção da prisão de Vorcaro. Ele disse que a quebra do sigilo bancário do ex-banqueiro, segundo sua avaliação, confirma as declarações apresentadas na sessão.

Toffoli alegou foro íntimo

Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo e diferenciou sua decisão de um impedimento. Segundo o ministro, a medida busca evitar constrangimentos e preservar a Corte durante o julgamento.

“Entendo que, como tenho me manifestado na turma pela suspeição — e reforço, não por me sentir impedido, mas por suspeição de foro íntimo, para preservação da Corte, no ponto de vista de eventuais especulações —, eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei”, disse Toffoli.

O ministro havia sido retirado da relatoria de um processo relacionado ao caso Master em fevereiro, após a divulgação de suspeitas sobre uma relação com Vorcaro envolvendo um resort no Paraná. Toffoli negou relação com o ex-banqueiro e afirmou que segue a mesma postura que adotou em julgamentos da Primeira Turma.

Apesar de não votar, Toffoli informou que continuará no plenário durante a sessão e poderá usar a palavra se considerar necessário.

Entenda a diferença

Impedimento e suspeição têm o mesmo efeito prático naquele processo: o ministro deixa de votar. A diferença está no fundamento. O impedimento decorre de uma situação objetiva prevista nas regras processuais, que impede a atuação do julgador em razão de vínculo ou condição definida em lei.

A suspeição se refere a circunstâncias que podem comprometer a percepção de imparcialidade, como amizade íntima, inimizade, interesse no resultado ou outras razões pessoais. No caso de suspeição por foro íntimo, o magistrado pode se afastar sem detalhar publicamente os motivos.

Assim, Nunes Marques sustentou que sua função como presidente do TSE e a repercussão eleitoral do caso o impediam de participar. Toffoli afirmou que se declarava suspeito por foro íntimo para evitar constrangimentos e preservar a Corte, sem apresentar uma razão específica.

Leia também:

Moraes fala em tentativa de golpe e suspeita de ajuda estrangeira em relatório da PF

Cármen Lúcia, Kassio e Toffoli podem definir julgamento de Moraes no STF

O julgamento trata de questionamentos sobre a conduta de Moraes e sua relação com Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A análise ocorre depois de uma sequência de decisões e divergências entre ministros sobre o acesso ao material reunido pela Polícia Federal.

Na abertura da sessão, Fachin defendeu que o STF preserve a colegialidade e evite confrontos pessoais. O presidente afirmou que os integrantes do tribunal têm a responsabilidade de preservar a instituição para as próximas gerações.

Até a publicação desta matéria, não havia informação sobre a conclusão do julgamento nem sobre eventual decisão do plenário a respeito da abertura de investigação.