O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usará o horário eleitoral desta segunda-feira 15 para fazer um “pronunciamento à nação” em que associa o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário na disputa.
No vídeo, Flávio afirma que Lula “dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes” e que o País teria ficado “sem presidente nenhum, sem comando”. A gravação será exibida no horário eleitoral das 13h, no dia em que o STF analisa o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O candidato diz que o governo decidiu atuar ao lado de uma parte do STF e fala em “desequilíbrio institucional”. As declarações integram a estratégia de ligar o desgaste provocado pela crise na Corte ao presidente, que busca a reeleição.
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“Eu estou interrompendo a campanha eleitoral nesse momento, diante da gravidade de tudo o que está acontecendo”, diz Flávio no vídeo. Ele afirma que “o Brasil está sendo passado a limpo” e acusa o governo de fazer parte de “um sistema que está apodrecido”.
Flávio também sustenta que o caso envolvendo Moraes não seria o principal problema do País. Na peça eleitoral, menciona a violência, o endividamento das famílias e o custo dos alimentos. “Escândalo é não poder andar em paz nas ruas porque o medo tomou conta”, afirma.
O senador e candidato voltou a defender o fim da reeleição e citou propostas ligadas à segurança pública, ao combate ao crime organizado e à economia. A propaganda vai ao ar enquanto o Supremo discute primeiro o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório da PF; em seguida, os ministros podem decidir se há elementos para abertura de investigação.
As acusações feitas por Flávio no pronunciamento representam sua posição política. A análise do caso Master continua sob responsabilidade do STF, sem decisão definitiva sobre as questões levadas ao Plenário.
O pronunciamento foi planejado para coincidir com o debate no STF, em que os ministros avaliam inicialmente o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório da Polícia Federal. A discussão sobre o conteúdo e sobre uma eventual investigação depende do encaminhamento que será dado pelo Plenário.
Ao se dirigir diretamente ao eleitorado, Flávio tenta levar a crise institucional para o centro da disputa presidencial. No vídeo, ele apresenta críticas ao governo e ao Supremo e, ao mesmo tempo, reforça propostas de campanha. Lula não é citado apenas como adversário eleitoral, mas como parte da narrativa do candidato sobre os desdobramentos do caso.
O horário eleitoral gratuito é uma das principais vitrines das campanhas nacionais e alcança eleitores fora das redes sociais. A estratégia de Flávio combina a reação ao noticiário do STF com temas recorrentes de sua candidatura, como segurança pública, renda e o combate ao crime organizado.