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Denúncia

Deputada estadual do RN denuncia ameaças de morte e violência sexual

Mensagem recebida pela parlamentar descreve atos de violência contra ela; Outras parlamentares denunciaram ataques
Agora RN
14/09/2026 | 22:57

A deputada estadual e candidata a reeleição Isolda Dantas (PT) denunciou, nesta segunda-feira 14 ter recebido ameaças de violência sexual e morte. Segundo a parlamentar, uma mensagem enviada por e-mail na última semana mencionava seu nome e Mossoró e descrevia atos de violência que seriam praticados contra ela. Órgãos de investigação e fiscalização foram acionados para apurar o caso.

Em pronunciamento, a deputada relatou que uma das ameaças dizia que seu corpo seria arrastado pelas ruas de Mossoró como forma de punição por suas posições políticas.

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Deputada estadual e candidata a reeleição Isolda Dantas (PT) - Foto: João Gilberto / ALRN

“Disseram que meu corpo seria arrastado pelas ruas de Mossoró como punição por defender o que acredito. A estes eu digo: por essas ruas passarei em pé, de cabeça erguida e junta de outras milhares a quem o medo não conseguiu vencer”, afirmou.

A parlamentar disse que o conteúdo recebido também apresentava ameaças de violência sexual antes de sua morte. “Recebi na última semana um e-mail com ameaças de violência sexual e morte. Uma mensagem de extrema crueldade, que cita meu nome, minha atuação política e Mossoró, e descreve uma sequência de violência contra mim”, relatou.

Outras parlamentares denunciaram perseguição e ameaças

No pronunciamento, a parlamentar afirmou que o episódio faz parte de um contexto de intimidação enfrentado por mulheres que participam da política.

“Quando nós, mulheres, entramos na política, muitos tentam nos expulsar pelo assédio moral, pelo silêncio, pela chacota e/ou pelo cansaço. Todas estas formas condenáveis de violência política de gênero. Tentam atingir nosso corpo, nossa família, nossa vida privada. Tentam nos fazer pensar duas vezes antes de falar, de disputar, de ocupar espaços”, declarou.

O episódio aconteceu após denúncia de outras parlamentares na última semana. As vereadoras de Natal Thabatta Pimenta (PV) e Anne Lagartixa (PL) relataram ter sido perseguidas durante deslocamentos de campanha pelo interior do Rio Grande do Norte.

Thabatta afirmou ter enfrentado dois episódios recentes. O primeiro teria ocorrido durante uma agenda em Carnaúba dos Dantas, quando o veículo ocupado pela candidata e por integrantes de sua equipe teria sido seguido por outro carro. Segundo ela, a placa foi anotada e as providências cabíveis foram adotadas. O segundo caso teria acontecido no trajeto entre Pau dos Ferros e Natal, no trecho entre Patu, no Rio Grande do Norte, e Brejo do Cruz, na Paraíba. Ela relatou que dois homens apareceram em uma motocicleta e tentaram fazer o carro parar. “Simplesmente surgiram dois homens em uma moto. Primeiro um e batendo no carro e depois outro mandando parar”, afirmou.

Ao comentar a publicação de Thabatta, Anne Lagartixa afirmou ter passado por uma situação semelhante quando retornava de Serra Negra do Norte para Natal. De acordo com a candidata, três carros perseguiram a comitiva no trecho perto de Bom Jesus. Ela contou que o grupo viajava em três veículos, dos quais dois estavam identificados com adesivos de sua campanha. A vereadora disse que o carro ocupado por seus seguranças avançou e se posicionou atrás dos veículos suspeitos, permitindo que a comitiva continuasse o percurso.

Natália Bonavides, Brisa Bracchi e Juliana Garcia, candidatas pelo PT também denunciaram ataques com referências a morte, violência sexual, “estupro corretivo” e esquartejamento, além da divulgação de informações pessoais e dados de familiares.

Vereadora de Natal e candidata a deputada federal, Brisa informou ter recebido mensagens misóginas e LGBTfóbicas em seus e-mails pessoal e institucional, incluindo uma data para uma suposta execução. A deputada federal e candidata à reeleição Natália Bonavides também denunciou uma mensagem com ameaças de violência sexual e morte. Candidata a deputada estadual, a ativista Juliana Garcia, por sua vez, relatou uma sequência de ataques nas redes sociais desde o início da campanha, inclusive com referências à agressão sofrida por ela em julho de 2025.

Órgãos foram acionados

Segundo a deputada Isolda Dantas, órgãos de investigação, o Ministério Público, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (PRE/RN) e a Ouvidoria da Mulher já foram comunicados sobre as ameaças. Apesar das ameaças, a parlamentar afirmou que continuará exercendo sua atuação política.