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Coluna

Álvaro Dias tentará derrotar Carlos Eduardo Alves pela segunda vez consecutiva

Confira a coluna de Daniel Menezes deste sábado 4
Daniel Menezes
04/05/2024 | 09:34

Após se tornar prefeito de Natal pelas mãos de Carlos Eduardo, sendo eleito na condição de vice como nome do MDB na chapa carlista, Álvaro Dias vai trabalhar pela segunda vez consecutiva para derrotar o antecessor. A primeira vez foi em 2022, apoiando Rogério Marinho para o Senado. Recentemente, Álvaro disse que Marinho, enquanto ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro, empenhou recursos para obras na cidade e que o dinheiro nunca chegou. E agora vai de Paulinho Freire em 2024 contra Carlos Eduardo para prefeito.

A versão pública dada por Álvaro Dias é bizarra. Ele ponderou que Paulinho Freire terá força para conseguir recursos em Brasília para tocar as obras que a cidade precisa concluir. Ocorre que Paulinho, que passou o ano de 2023 votando na Câmara Federal como deputado do PT, mas agora se posicionou a favor do impeachment do presidente Lula. Um modo de jogar confete para o bolsonarismo, de quem se tornou aliado recentemente através da aproximação de seu União Brasil com o PL.

Ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PSD) com o atual prefeito Álvaro Dias (Republicanos) - Foto: José Aldenir / Agora RN
Ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PSD) com o atual prefeito Álvaro Dias (Republicanos) - Foto: José Aldenir / Agora RN

Na prática, ao fazer tal afirmação, Dias abriu mais um flanco para que a história do alegado calote dado por Rogério Marinho nas obras da capital fosse relembrada. Rogério sequer apareceu para o anúncio do apoio do prefeito a Paulinho Freire.

Outra versão circulou entre analistas de política da cidade. A ideia é a de que, se fosse para Carlos Eduardo, Álvaro Dias não teria a digital de demonstração de força própria, já que Carlos Eduardo lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto. Com Paulinho, ficará mais clara a apresentação de seu capital eleitoral.

Ora, é um ponto de vista menos no sense do que o oficial. Só que, ainda assim, Álvaro poderia muito bem construir, de máquina na mão e com a comunicação devidamente controlada na imprensa local, a marca do seu apoio e forçar o reconhecimento de que a vitória de Carlos Eduardo veio também por ele.

Entre articuladores do grupo de Carlos Eduardo, o discurso é o de que a proposta de Paulinho Freire era impossível de receber cobertura superior. E aí não tem como saber a natureza da proposição. Cargos? Apoio em múltiplos caminhos para 2026? Estrutura? Não adianta especular. O dado concreto é que Álvaro Dias buscou o caminho bem mais difícil e, como estamos diante de um agente da política profissional capaz de distribuir remédio de verme na maior crise de saúde pública como moeda eleitoral, é pouco provável que esteja na mesa uma motivação que não implique em mais poder amanhã – em caso de vitória ou de derrota.

Daniel Menezes é cientista político, professor da UFRN

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