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Daniel Menezes

Álvaro Dias, da reeleição à sucessão sem candidato próprio

Confira a coluna de Daniel Menezes desta sexta-feira 3
Daniel Menezes
03/05/2024 | 07:29

A expressiva votação de Álvaro Dias em 2020 ocorreu pela pandemia de Covid. Ele distribuiu ivermectina e o chamado kit de tratamento precoce em postos de atendimento à população desejosa de amparo. Deu super certo – para ele. Com o endosso carente de técnica das associações médicas, entregou aquilo que o eleitor queria ao invés de enfrentar as crendices populares que afloraram no cenário atípico. Passado o aperreio, sua avaliação despencou e o eleitor agora quer mudança.

Tino político amoral e mortal

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No desespero demonstrado por todos com a chegada de uma doença incurável, Álvaro Dias teve tino político para presentear o eleitor com o que ele anseava – remédios e saídas fáceis. Sim, foram meios completamente ineficazes, tanto que Natal cultivou números de contágio e mortes superiores ao que se processou no Rio Grande do Norte e no Brasil. Mas de modo amoral, aqueceu os corações das pessoas com ideias carentes de fundamentação científica. Era muito mais difícil ser portador da mensagem incapacitante – fique em casa porque não há remédio, nem para proteção e nem para cura. Estávamos diante de uma doença nova e o único caminho comprovadamente eficaz era o não farmacológico de evitar o contágio. A verdade é que Álvaro Dias não quis saber das consequências sanitárias e sociais. Mirou na eleição. E, com o apoio das elites locais trancafiadas em casa, mas querendo abrir o comércio para o povão e seus funcionários, que ficariam aos pés dos balcões servindo de bucha de canhão, se sagrou vencedor em primeiro turno.

Endosso da mídia local

O consórcio midiático de Natal deu todo o apoio informacional e ideológico – a ivermectina protegia contra a Covid e a cloroquina curava. Errado estavam aqueles que diziam que nada era possível fazer, a não ser administrar a situação através de isolamento, máscara e outras ações. Muitos falsos estudos foram espalhados e a ivermectina chegou a custar mais de R$ 100 uma mísera caixa. Mentiras cabeludas sobre como apenas a Prefeitura do Natal tinha aberto leitos, quando na verdade o Governo do RN era o principal mantenedor de unidades hospitalares da capital e do Estado, passaram a fazer parte da paisagem de blogs e portais agora colados no bolsonarismo com quem Álvaro, que é médico de formação, chafurdava.

Associações médicas, cabos eleitorais da eleição e da morte

Por fim, tivemos o papel vergonhoso e assassino das associações médicas. Figuras agora alçadas à condição de cabos eleitorais, as entidades de classe baixaram resoluções favoráveis a tratamentos ineficazes. Não foram poucas as declarações de apoio àquilo que Dias fazia, como se salvador fosse. Elas saíram da pandemia com as mãos meladas de sangue. A ignorância e a maledicência restaram comprovadas quando esses mesmos agentes passaram a patrocinar campanhas antivacinação quando os imunizantes chegaram.

Eleição de 2024

Mas a pandemia passou e a gestão do cotidiano da cidade por Álvaro Dias tornou-se centro das atenções. Com aprovação inferior ao dado de reprovação, sua gestão abre espaço para um contexto de mudança. Apesar de toda a pirotecnia pouco contestada por quem tem microfone na cidade, seu insucesso em seu segundo ciclo administrativo é insofismável – irá para a sucessão sem um candidato próprio competitivo. Sim, o prefeito de Natal ainda é um agente político importante em 2024, já que controla uma máquina fortíssima. Mas a ele cabe dois caminhos – tentar apoiar alguém para se manter vivo para 2026 ou naufragar junto com o pleito de 2024. Ao contrário do alardeado por aí, ele não tem muitas opções – é sobreviver politicamente ou morrer.