Quem é pai ou responsável por criar e educar uma criança está permanente em busca de identificar e potencializar as qualidades, as valências que ela possui e que podem ser desenvolvidas para transforma-la em alguém capaz de sobreviver, sobrepujar obstáculos e se destacar. Quando se fala em administrar uma cidade, acredito haver um nível de semelhança. Potencializar aquilo que há de melhor e atender os anseios e esperanças do pequeno indivíduo urbano metafórico.
Natal, por exemplo, é uma das cidades com maior potencial não realizado dentre as capitais do Nordeste. No aspecto histórico, a nossa participação acessória na Segunda Guerra Mundial e a própria trajetória da cidade ao longo das décadas é explorada de maneira irrisória. A natureza, ponto alto de nossa pequena solar, não recebe sequer o banho de loja básico para garantir o acesso adequado e a limpeza devida para tornar a beleza natural e exuberante transcendental. Há problemas crônicos como a saúde e a educação dessa jovem de algumas centenas de anos. Fila para vaga em creche é a bronquite crônica que nunca deixa o pulmão do nosso futuro e o faz respirar com dificuldade. O atendimento básico às enfermidades seria a enxaqueca que tira o sono de toda família.

Não fica por aí. Não há liberdade para viver e circular. A promessa nunca cumprida de uma licitação de transporte, o bicho papão que maltrata o sonho dessa criança que se aperta no rush rumo a um destino incerto e arrastado. Uma história recorrente de um potencial nunca realizado, menos pelo esforço dela em si, mais pela omissão e irresponsabilidade daqueles que há muitos anos se alternam na tutela dessa brilhante e abandonada capital. Houve aqueles que nos últimos 20 anos, tentaram disfarçar o pouco talento e dedicação com uma maquiagem branca em meios-fios e coqueiros, mas longe de transformar o futuro que acontece a esmo.
Mas há esperança. Sempre há, pois não? E ela reside na alma justamente de quem faz essa cidade viva. A oportunidade de despertar para uma adolescência questionadora surge mais uma vez diante dos olhos que precisam enxergar e dar forma a essa chance. Antes de tudo, enfrentar e julgar o familiar. Questionar se há de fato uma mudança de paradigma ou o caminho é o abandono do comum para nós. Abraçar de peito aberto a mudança em favor de quem mostra a vontade e desenha os caminhos para a tirar as rodinhas que limitam o voo rumo ao futuro.
Não é fácil, é verdade, depois de tanto tempo, conseguir saber a diferença entre aquele que deseja apenas sair nas fotos de família e postar nas redes sociais para fazer média com os amigos e amigas ou estar presente de fato, ir a reuniões de pais e mestres, sentar para brincar, trocar as fraldas pesadas, dividir as tardes de domingo e perder as noites de sono verdadeiramente preocupado com o futuro em favor da construção de um espírito forte de alguém que tem muito para crescer.