Ainda no clima da passagem recente do dia dos namorados, é mais do que comum ouvir uma série de frases feitas que definem e rotulam uma série de relacionamentos ou mesmo a dinâmicas amorosas postas em nosso cotidiano. Uma das mais bradadas, definitivamente, é a de que os opostos se atraem.
Talvez a curiosidade pelo diverso até provoque a atração inicial, mas é nas afinidades que as dualidades se encontram e permanecem. A prova mais recente disso é o boato de que Carlos Eduardo Alves e Rafael Motta, adversários recentes na eleição para o Senado Federal, estarão lado a lado como candidato a prefeito de Natal e vice.
Não há surpresa pelo lado de Carlos Eduardo a união com Motta, que ao longo de sua trajetória política, sempre foi pragmático e ignorou de maneira solene questões ideológicas em detrimento do seu projeto. A prova de que o modus operandi tem sido bem sucedido é de que foi prefeito da capital potiguar em ao menos três oportunidades. Motta, via assessoria de comunicação, afirma manter sua pré-candidatura a prefeito da cidade.

Fontes no entorno das conversas, entretanto, apontam para um acordo praticamente
fechado entre os dois. De fato, se vier a se confirmar oficialmente nas próximas
semanas, assistiremos a então ascendente personagem da política potiguar cair no lugar comum e se tornar algoz de si mesmo, uma vítima do próprio discurso.
Isso porque, quando da composição para as eleições majoritárias de 2022, Motta avaliou negativamente a jogada da governadora Fátima Bezerra que atraiu Carlos Eduardo para a base e eliminou um potencial adversário. Na oportunidade, o aspirante a senador ainda no PSB tachou como erro a decisão da governadora e do PT em “trazer antigos concorrentes, antigos adversários. Não tão antigos, por que meses atrás o próprio
candidato dela ao Senado fazia críticas bastante duras.”
O próprio Rafael Motta, nos idos de 2016, atirou contra o líder das pesquisas e atribuiu como maior obra do então gestor o “Carnaval”. Em outra das reflexões dele, em entrevista à TV Ponta Negra em 2022, apontara o antagonismo entre Carlos Eduardo e Fátima e afirmava que “as pessoas não conseguem mais entender. Como se pode, em tão pouco tempo, mudar o discurso?”
A política, é sem dúvida, um lugar propício às incongruências. Nos discursos, nas alianças, nos bastidores. Contudo, a esperança sobre um nome que sinalizava renovação, pode se
mostrar apenas mais um em busca da sobrevivência política.
Todos desejam sobreviver nesse mundo selvagem da política. Contudo, algumas condutas tratadas ao extremo, expõem uma
essência individualista, canibalista e de isolamento. Quanto mais se dobra a aposta, maior o risco de terminar no canto escuro da sala.
E nesse aspecto, guardadas as proporções e o capital político em Natal, pré-candidato a prefeito e seu eventual vice podem terminar mais parecidos do que nunca.