BUSCAR
BUSCAR
Editorial

Editorial: O tempo da escolha acabou

Confira a coluna de Editorial desta quinta-feira 5
Agora RN
05/06/2025 | 07:40

A crise climática não é mais um alerta distante, nem uma hipótese debatida em relatórios científicos ou conferências internacionais. Ela está nas ruas alagadas nas cidades, nas colheitas perdidas do interior potiguar, nos reservatórios que não enchem, nas ondas de calor cada vez mais frequentes, no sal que avança sobre a terra produtiva do Seridó. O mundo inteiro já sente os efeitos da emergência ambiental — e o Rio Grande do Norte não está fora dessa equação.

É preciso admitir com franqueza: o tempo de decidir se vamos agir já passou. A pergunta agora é outra: o que vamos fazer, e com que urgência? Nesse novo cenário, a omissão deixou de ser um erro para se tornar cumplicidade com o desastre. A responsabilidade é coletiva — governos, setor produtivo, imprensa e sociedade civil precisam compreender que a adaptação às mudanças climáticas e a proteção dos recursos naturais não são mais opções. São pré-requisitos de sobrevivência.

Editorial: O tempo da escolha acabou - Foto: jcomp/Freepik
Editorial: O tempo da escolha acabou - Foto: jcomp/Freepik

No caso potiguar, esse debate exige foco local. Um Estado semiárido, que já enfrenta séculos de escassez hídrica, não pode permitir o desmonte da política de gestão das águas nem ignorar os efeitos da desertificação. As cidades litorâneas, ameaçadas por ocupações irregulares e avanço do mar, precisam de ações concretas de proteção costeira, planejamento urbano e rigor na aplicação das leis ambientais. O RN, que tem nas energias renováveis uma de suas maiores oportunidades, precisa garantir que esse crescimento ocorra com respeito aos territórios, às comunidades e aos biomas.

E há tarefas urgentes. O saneamento básico continua precário em boa parte dos municípios. A coleta seletiva ainda é exceção. A fiscalização ambiental carece de estrutura. O licenciamento precisa ser modernizado, mas sem abrir brechas para retrocessos. A comunicação pública, por sua vez, deve educar, informar e engajar. O jornalismo local tem papel decisivo nesse enfrentamento.

O AGORA RN reafirma seu compromisso com a verdade dos fatos, com a denúncia do que destrói e com a defesa de um modelo de desenvolvimento que respeite os limites do planeta. Acreditamos que é possível crescer sem devastar, gerar emprego sem agredir, produzir sem esgotar. Mas isso só se conquista com responsabilidade, transparência e ação coordenada.

Nesta edição impressa, o leitor terá acesso a um vasto material que, primeiro, retrata o atual cenário das mudanças climáticas no Rio Grande do Norte. Além disso, traz reportagens com iniciativas que ajudam a mitigar os impactos dos danos ambientais já provocados. Como exemplos: o avanço da eletromobilidade e a presença cada vez maior da eólica na geração de energia do Estado. Em resumo, esta edição do AGORA RN – publicada no dia em que é celebrado o Dia do Meio Ambiente – é um chamado à reflexão e à tomada de ações para reduzir os efeitos do aquecimento global.

Não há mais tempo a perder. O planeta já começou a cobrar a conta. E ela chega, cedo ou tarde, a cada cidade, cada rua, cada casa — inclusive à sua.