Natal continua devendo à sua população espaços públicos dignos de convivência, lazer e práticas esportivas. O cenário salta aos olhos de quem percorre a Avenida Roberto Freire ou a Via Costeira, dois dos corredores mais movimentados da cidade. Ali, milhares de pessoas fazem caminhadas todas as semanas, muitas vezes em meio à escuridão, com postes apagados, ausência de ciclovias e a insegurança de dividir espaço com veículos.
A situação da Roberto Freire e da Via Costeira, e de várias outras regiões da cidade, é um retrato de improviso que expõe o quanto a capital potiguar ainda carece de políticas consistentes para a urbanidade. E a coisa se agrava na periferia da cidade, longe dos corredores turísticos.

Projetos de parques urbanos, que poderiam mudar essa realidade, naufragam diante de resistências que se repetem. Foi assim na tentativa de implantação de um espaço de lazer na Via Costeira, durante o Governo Robinson, e agora novamente com a proposta defendida pelo prefeito Paulinho Freire (União): a de fazer um parque linear na margem da Roberto Freire. O Exército até já cedeu a área necessária para o empreendimento.
Antes mesmo de o debate ser amadurecido, setores que se autoproclamam guardiões do meio ambiente levantam barricadas, muitas vezes sem sequer conhecer os projetos em detalhes. O resultado é o mesmo: paralisia e manutenção do status quo.
Não se trata de ignorar a necessidade de preservação ambiental. Mas cidades modernas trabalham com compensações ambientais, instrumentos legais que permitem conciliar desenvolvimento urbano e responsabilidade ecológica. O que não dá é manter Natal refém de uma visão que confunde conservação com abandono, como se deixar mato crescer fosse sinônimo de cuidado.
Se governo do Estado e Prefeitura querem, de fato, pensar Natal para o futuro, precisam encarar esse déficit. Iluminar, equipar, abrir parques e estruturar ciclovias não são luxos: são direitos de quem vive a cidade. O novo milênio já começou há mais de duas décadas, mas Natal ainda se comporta como se estivesse presa ao século passado.
DIVISÃO
A candidatura de Nina Souza (União) a deputada federal pode atrapalhar a reeleição de General Girão (PL). Parte dos votos conquistados por Girão em Natal em 2022 foram fruto de parceria política dele com Nina, na época vereadora – hoje, licenciada do cargo para ser secretária de Assistência Social. Na última eleição, o deputado bolsonarista obteve 30 mil votos só na capital potiguar.
RUÍDO
Mais simpático à candidatura de Rogério Marinho (PL) para governador, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), não posou para fotos com o colega de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ontem em Brasília. Os dois estavam na capital federal para participar da cerimônia que oficializou a federação entre União Brasil e o PP. O líder do União Brasil no RN, José Agripino Maia, postou duas fotos ontem: numa aparece com Paulinho; noutra, com Allyson.
FRIEZA
A governadora Fátima Bezerra (PT) e a senadora Zenaide Maia (PSD) estão cada vez mais distantes. O clima entre elas não é nada bom. Sintoma desse afastamento foi a ausência do prefeito Jaime Calado (PSD) no encontro realizado na Governadoria, na última segunda, que marcou a emissão da licença do Distrito Empresarial de São Gonçalo do Amarante. Fátima e Jaime só trataram do assunto por telefone. O prefeito não foi ao Centro Administrativo para aparecer na foto.
OSCAR DO MARKETING POLÍTICO
A campanha de Natália Bonavides (PT) à Prefeitura do Natal em 2024, assinada pela agência Plano B Soluções e coordenada pelo estrategista Bruno Oliveira, está na final da principal categoria do Prêmio Camp da Democracia, considerado o Oscar do marketing político. Além de Natália Bonavides, estão na final do prêmio outras 9 campanhas, entre elas as de Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (Psol), que concorreram à Prefeitura de São Paulo (SP). O prêmio será entregue dia 25 de agosto, em São Paulo.
PARNAMIRIM
Enquanto a prefeita Nilda (Solidariedade) silencia sobre 2026, o presidente da Câmara de Parnamirim, Dr. César Maia (MDB), segue articulando. Ontem, voltou a cobrar que Parnamirim tenha espaço nas chapas majoritárias. Segundo ele, este será o critério para ele definir o voto para governador e senador. “Os meus candidatos serão os candidatos que vão permitir que Parnamirim participe do pleito eleitoral e do possível futuro governo”, disse César, à 96 FM.
PRECONCEITO
A vereadora Thabatta Pimenta (Psol) resumiu o que, segundo ela, é o real motivo da tentativa de cassação do mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT). “Esse moído todinho é porque não aceitam sapatão, travesti e todas as mulheres nesse lugar de decisão”, escreveu nas redes sociais.
DEBOCHE
Já Subtenente Eliabe (PL) defendeu a cassação de Brisa. “O que ela fez é grave. É preciso ter zelo e seriedade com recursos públicos. É preciso respeitar os pagadores de impostos. Usar recurso público para fazer deboche é muito grave”, disse Eliabe, em entrevista à rádio Clube ontem pela manhã.
FRAUDE EM NÍSIA
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) confirmou nesta terça-feira 19 a ocorrência de fraude à cota de gênero praticada pelo partido Avante nas eleições municipais de 2024, em Nísia Floresta. A decisão unânime manteve a sentença da 67ª Zona Eleitoral, que reconheceu a candidatura fictícia de Ana Júlia Lima da Silva e determinou a cassação de toda a chapa proporcional do partido. Com a cassação, perdem os mandatos os dois vereadores eleitos, Josivan Trindade e Juscye Correia. Além disso, deverá ser feita nova totalização dos votos.