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Opinião

Crise da água no Seridó expõe demora das obras da transposição

Confira a coluna de opinião deste sábado 23
Redação
23/08/2025 | 04:24

O Seridó potiguar volta a ser palco de um drama antigo, mas que nunca deixa de doer: a falta de água. São 79 municípios em situação de emergência, dez deles já ameaçados de colapso até janeiro de 2026. Mais de 100 mil pessoas podem ficar sem abastecimento regular em pleno século XXI. Em Ouro Branco, há relatos de famílias há mais de 17 dias sem uma gota nas torneiras. O paradoxo é cruel: as águas do São Francisco chegaram ao território potiguar, celebradas com pompa em discursos e imagens emocionadas, mas na prática não chegaram à casa de quem mais precisa. A transposição, tão esperada durante um século, esbarra em obras inacabadas, projetos inexistentes e burocracias que arrastam a esperança por anos. A seca, essa sim, não espera: castiga todo dia, expulsa jovens do campo e reduz a vida à disputa por um balde d’água.

O deputado Ubaldo Fernandes (PSDB) lembrou na Assembleia que, sem um decreto de emergência estadual, recursos federais não chegam com a velocidade necessária. Mas o que está em jogo vai além de decretos: é a falta de planejamento para transformar a água que corre nos canais em segurança hídrica de verdade. Não basta celebrar a chegada do velho Chico se ele não alcança as torneiras de Jardim do Seridó, Carnaúba dos Dantas, Parelhas, Equador ou São José do Seridó. No RN, a água virou artigo de luxo, e o carro-pipa, que deveria ser medida paliativa, já é política pública permanente. O cenário mostra como a crônica escassez se mistura ao improviso político: governos passam, promessas se repetem, mas o sertanejo continua de lata d’água na cabeça. O colapso não é apenas hídrico — é também de gestão, de prioridades e de respeito ao povo mais sofrido do Estado.

Crise da água no Seridó expõe demora das obras da transposição - Foto: José Aldenir/Agora RN
Crise da água no Seridó expõe demora das obras da transposição - Foto: José Aldenir/Agora RN

CAOS OU APLAUSO?

Enquanto a oposição insiste no discurso de caos, a população parece enxergar diferente. Em pesquisa divulgada nesta semana, Fátima Bezerra (PT) apareceu como a liderança que mais fez pelo Rio Grande do Norte, deixando rivais em segundo plano. No plenário, governistas lembraram os mais de mil quilômetros de estradas recuperadas e as viaturas novas em todos os municípios. No bastidor, a pergunta é outra: se o povo vê obra, será que só a oposição anda de olhos vendados?

GRAVIDEZ ACELERADA

A vereadora Anne Lagartixa (Solidariedade) faz questão de dizer que o processo contra a colega Brisa Bracchi (PT) será rápido, a ponto de encerrar tudo antes de dar à luz sua filha Maria Antonella. A pressa, segundo ela, é para evitar “desgaste da Câmara e da denunciada”. Nos bastidores, a leitura é outra: a vereadora quer que o parto político — a cassação de Brisa — aconteça junto com o parto biológico. E muita gente já ironiza: será o primeiro bebê a nascer com uma cassação na certidão de nascimento?

CORREDOR POLONÊS

O “corredor polonês” denunciado pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil) montado no gabinete de Brisa Bracchi virou munição pesada contra a petista. O vereador conhecido entre os pares por lacrador protocolou denúncia por quebra de decoro e pede punição que pode ir de advertência até cassação. Nos corredores da Câmara, a aposta é que a cena com o procurador cercado pelos apoiadores de Brisa tenha feito mais estrago político do que qualquer discurso no plenário.

TARIFA CAMALEÃO

Nos bastidores da licitação do transporte em Natal, a expressão “tarifa móvel” tem chamado atenção. O conceito, defendido pela STTU, é simples: a passagem que o usuário paga é só parte da conta — o resto fica com o poder público, no famoso subsídio. Ou seja, o valor final da viagem muda de cor conforme o bolso de quem banca: para o passageiro, R$ 4; para a Prefeitura, bem mais.

ÔNIBUS DE R$ 12

Em entrevista à Rádio Mix, o secretário-adjunto da STTU, Newton Filho, citou Brasília como exemplo: o passageiro paga pouco mais de R$ 4 pela passagem, mas o custo real da viagem chega a R$ 12, bancado pelo governo. A curiosidade é que, se esse cálculo fosse aplicado em Natal, muita gente descobriria que já anda em um “ônibus de luxo”, só que sem ar-condicionado e com atraso na parada.

CIRURGIA NO IMPROVISO

No Walfredo Gurgel, médicos relataram que, por falta de material, roupas cirúrgicas chegam a ser repassadas de um plantão para outro. O Sindicato dos Médicos anunciou doação emergencial, mas a cena chama atenção: no maior hospital público do Estado, até o uniforme da sala de cirurgia virou artigo de revezamento.

VERDE QUE TE QUERO VERDE

O deputado estadual Hermano Moraes (PV) usou a tribuna para celebrar a Expofruit 2025, feira gigante em Mossoró que deve movimentar R$ 90 milhões. Mas, entre mamões, melões e mangas, deixou escapar que pode trocar de jardim partidário. “O tempo dirá e no tempo certo nós vamos definir o nosso futuro político”, disse, já acenando que pode migrar de um verde para outro. Na Assembleia, o comentário correu rápido: Hermano gosta mesmo é de fruta madura — e de partido que lhe dê mais sombra e água fresca.