A Mesa Diretora da Câmara enviou ao Conselho de Ética da Casa uma representação em que pede o afastamento do deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por seis meses. Isso acontece dois dias depois de o deputado fazer ofensas à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Segundo o documento, encabeçado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Gilvan praticou “condutas incompatíveis com o decoro parlamentar” ao fazer “manifestações gravemente ofensivas e difamatórias contra Deputada licenciada para ocupar cargo de Ministra de Estado, em evidente abuso das prerrogativas parlamentares, o que configura comportamento incompatível com a dignidade do mandato”.
Os ataques feitos pelo deputado aconteceram na terça-feira, durante reunião da Comissão de Segurança Pública em que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, participou. Na ocasião, ele também fez uma referência ao líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que também estava presente na comissão e discutiu com o deputado bolsonarista.

“Na época em que esse ex-presidiário (o presidente Lula) foi preso, eu estava na Polícia Federal, e chovia ataques à PF pelo pessoal do PT. Por exemplo, da (então) senadora Gleisi Hoffmann. Hoje, elogiam a PF porque temos um diretor-geral petista. Na Odebrecht, existia uma planilha de pagamento de propina a políticos. Eu citei aqui o nome Lindinho e Amante, que devia ser uma prostituta do caramba. Teve até deputado que se revoltou. Ou seja, a carapuça serviu”, declarou o parlamentar na sessão.
Uma lista apreendida na Lava-Jato e que reunia apelidos de políticos para controlar supostos repasses indicava que o termo Amante se referia a Gleisi. A hoje ministra foi absolvida em um processo da operação e teve denúncias rejeitadas ou arquivadas em outros casos.
CPI DOS APOSENTADOS
O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), disse nesta quinta-feira que apoia a criação de uma CPI para investigar fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias. Já há o número necessário para pedir a abertura da CPI, mas a instalação agora é prerrogativa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ao falar do assunto em vídeo publicado nas redes sociais, Pereira afirmou que os desvios representam “escandalosa fraude”. O Republicanos tem entre seus quadros o ministro Silvio Costa Filho, titular da pasta de Portos e Aeroportos e deputado licenciado.
TRABALHO
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira que a permanência de Carlos Lupi à frente da pasta da Previdência dependerá de uma “avaliação política” e da capacidade do ministro de fazer a correção de rota no INSS, em meio às investigações sobre fraudes nos descontos de aposentadorias. “A continuidade de um ministro (no cargo) muitas vezes passa pela avaliação política, não é simplesmente se ele tem culpa ou não tem culpa. Você pode ter uma situação política de ausência de sustentabilidade ou de manutenção da sustentabilidade”, afirmou Marinho.
PRAZO DE INQUÉRITO
O ex-presidente Jair Bolsonaro encaminhou uma mensagem para aliados em que pede a articulação para a um projeto de lei que limite a duração de inquéritos criminais. Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito que apura a existência de uma trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Srs Deputados/Senadores: Sugestão, caso possível: Que os Inquéritos, caso legal, tenham duração máxima de 4 meses, podendo ser prorrogados por mais 2, desde devidamente justificados. Obrigado, um abraço a todos. Jair Bolsonaro”, diz a mensagem disparada pelo ex-presidente.
ANISTIA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes tem se mostrado mais aberto em debater a diminuição de pena para os envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro. Nas conversas com interlocutores da corte, porém, o magistrado deixa claro que é contra uma redução grande das punições. A postura é distinta daquela que Moraes vinha adotando no início do mês, de estar irredutível sobre debater o tema. O foco é reduzir as penas para os envolvidos nos ataques golpistas e aumentar para as lideranças da tentativa de golpe de Estado, como Jair Bolsonaro.
LEITE FORA DO PSDB
Mesmo com o avanço da fusão entre o PSDB e o Podemos, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tem dado sinais claros de que deve mesmo deixar o ninho tucano e migrará para o PSD. Um desses sinais foi a fala de Leite na reunião da executiva nacional do PSDB, nesta terça-feira, que autorizou, por unanimidade, o avanço da fusão com Podemos. O governador gaúcho deu aval para o avanço das negociações, mas fez uma fala concisa e tímida, na avaliação de colegas.