O Japão enfrenta uma das mais severas ondas de calor de sua história recente, com temperaturas superiores a 40°C em diversas regiões e um aumento expressivo das emergências médicas relacionadas à insolação. Em Tóquio, os serviços de emergência registraram, na quarta-feira 22, o maior número de hospitalizações por calor em um único dia desde o início da série histórica, em 2010, enquanto o país contabilizou pelo menos 14 mortes na última semana associadas às altas temperaturas. O episódio ocorre poucos meses após a Agência Meteorológica do Japão (JMA) criar uma nova classificação para eventos extremos de calor, denominada kokushobi, utilizada para dias em que os termômetros atingem ou superam os 40°C.
Na quinta-feira 23, pelo menos seis localidades japonesas ultrapassaram essa marca. A maior temperatura foi registrada em Hamamatsu, na província de Shizuoka, onde os termômetros alcançaram 41,1°C. Na cidade de Toyota, na província de Aichi, os equipamentos meteorológicos marcaram 40,8°C. Segundo dados da JMA analisados pela AFP, 38 das 47 províncias japonesas registraram temperaturas acima de 35°C, concentradas principalmente nas regiões central e sul do país.

Em grandes centros urbanos, como Kyoto e Nagoya, os termômetros se aproximaram dos 40°C, enquanto a capital registrou máxima de 36,9°C. Embora o termo kokushobi não acione automaticamente medidas governamentais, ele foi criado para reforçar a comunicação dos riscos à população diante da frequência crescente desses eventos climáticos extremos. O impacto sobre o sistema de saúde foi imediato. O Corpo de Bombeiros de Tóquio informou que 453 pessoas foram hospitalizadas em apenas um dia por problemas relacionados ao calor, recorde desde 2010. No mesmo período, os serviços de emergência atenderam 3.612 ocorrências, o maior volume desde o início dos registros, em 1963.
Entre os pacientes encaminhados aos hospitais, uma pessoa morreu, quatro permanecem em estado crítico e outras 18 seguem internadas em estado grave. Em âmbito nacional, dados divulgados pelas autoridades mostram que 10.857 pessoas foram levadas a hospitais por insolação entre 13 e 19 de julho, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
A intensificação das ondas de calor reforça preocupações sobre os efeitos das mudanças climáticas em uma das economias mais desenvolvidas do mundo. O Japão vem registrando verões progressivamente mais quentes, com sucessivos recordes de temperatura e aumento das internações por insolação.
Autoridades recomendam o uso contínuo de aparelhos de ar-condicionado, hidratação frequente e a redução das atividades ao ar livre durante os períodos de maior calor. Especialistas avaliam que o novo padrão climático deverá ampliar a pressão sobre os sistemas de saúde, energia e infraestrutura urbana, além de elevar os custos econômicos associados à adaptação das cidades e à proteção da população, sobretudo idosos, grupo que concentra a maior parte das vítimas das ondas de calor.