A condução do conflito entre Estados Unidos e Irã abriu uma nova frente de desgaste político para o governo Donald Trump. Além da escalada militar, o Pentágono passou a ser questionado pela forma como divulga dados sobre ataques, feridos e impactos da guerra.
A condução da guerra entre Estados Unidos e Irã abriu uma nova frente de desgaste político para o governo de Donald Trump. Além da escalada militar, o Pentágono passou a enfrentar críticas pela forma como divulga informações sobre o conflito, após autoridades americanas confirmarem que dezenas de militares ficaram feridos em ataques iranianos na Jordânia antes da ofensiva de sexta-feira, 17, que matou dois soldados e deixou outro militar desaparecido.

Segundo reportagem do New York Times, três ataques anteriores contra bases americanas no país provocaram dezenas de feridos e danos a helicópteros, mas não foram divulgados ao público pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). Dias depois, o principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, reconheceu que quase 100 militares sofreram algum tipo de ferimento desde 7 de julho, embora tenha negado qualquer tentativa de ocultação de informações.
Segundo ele, 96% dos militares retornaram ao serviço e a maioria dos casos envolve concussões leves. A controvérsia evidencia o dilema enfrentado pelo Departamento de Defesa entre preservar informações consideradas sensíveis para a segurança operacional e atender às demandas por transparência em um conflito que já dura quase cinco meses.
Oficiais americanos argumentam que a divulgação detalhada de ataques, locais atingidos e número de militares feridos poderia auxiliar o Irã a aperfeiçoar futuras ofensivas contra instalações militares na região.
O Pentágono sustenta que o Sistema de Análise de Baixas da Defesa (Defense Casualty Analysis System) permanece atualizado e reúne os registros oficiais de mortos e feridos. Entretanto, o banco de dados apresenta apenas números agregados e não informa em quais ataques ocorreram as baixas, alimentando críticas de parlamentares e da imprensa americana sobre a condução da comunicação oficial.
O debate ocorre em meio à intensificação dos combates. Desde o rompimento do cessar-fogo, forças americanas ampliaram a campanha aérea contra instalações militares iranianas, enquanto Teerã passou a atacar bases dos Estados Unidos distribuídas pelo Oriente Médio, incluindo posições na Jordânia, Iraque, Bahrein, Kuwait e Catar.
Segundo dados atualizados pelo Pentágono, ao menos 17 militares americanos morreram desde o início da guerra, em fevereiro, e mais de 420 ficaram feridos em incidentes relacionados ao conflito, embora parte desses registros inclua ocorrências não diretamente ligadas ao combate.
Paralelamente, autoridades americanas evitam divulgar estimativas detalhadas sobre o consumo de mísseis interceptadores, bombas guiadas e outros armamentos empregados na campanha. A medida ocorre em um momento em que especialistas alertam para o desgaste dos estoques estratégicos dos Estados Unidos e para a capacidade do Irã de recompor rapidamente seus arsenais de drones e mísseis balísticos.
A falta de informações detalhadas também amplia as incertezas dos mercados sobre a duração e a intensidade do conflito. Embora Washington mantenha como objetivo declarado impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, a guerra passou a concentrar esforços na proteção das rotas marítimas do Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
A persistência dos ataques e das ameaças à navegação sustenta um prêmio de risco sobre as cotações internacionais do petróleo, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão política sobre a Casa Branca diante da proximidade das eleições legislativas de meio de mandato.
Sem avanços concretos nas iniciativas diplomáticas e com sucessivos ataques de ambos os lados, analistas avaliam que o custo econômico e militar do conflito tende a crescer, independentemente da evolução das operações em campo.