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Eleições

Engorda era necessária, mas foi ‘mal feita’ por Álvaro, afirma Cadu

Petista acusa ex-prefeito de gastar mais de R$ 100 milhões com pressa eleitoral; candidato do PL defende obra e afirma que intervenção salvou Ponta Negra
Redação
11/08/2026 | 05:32

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) afirmou que a engorda da Praia de Ponta Negra era uma obra necessária, mas que foi mal executada pela gestão do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), hoje seu adversário na corrida eleitoral. O petista associou os problemas registrados na orla depois das chuvas à forma como o projeto foi conduzido e sugeriu que a antiga gestão acelerou a execução da obra para obter repercussão eleitoral.

“Candidato Álvaro, você fala que foi bem avaliado pelo povo de Natal, mas as consequências do seu governo no município restaram para o seu sucessor. Mais de R$ 100 milhões foram gastos na engorda de Ponta Negra”, declarou Cadu, durante debate entre os candidatos ao Governo do Estado transmitido pela Band RN no último domingo 9.

Engorda alagada
Com falhas na drenagem após engorda, praia de Ponta Negra convive com alagamentos em dias de chuva - Foto: José Aldenir

O candidato do PT mencionou ainda questionamentos relacionados aos tubos utilizados na drenagem e à origem da areia empregada na intervenção. “O Tribunal de Contas da União detectou que canos falsos foram colocados nessa obra. E também a areia foi retirada foi de uma jazida que não foi licenciada. É assim que você vai governar o Rio Grande do Norte? A pressa era só para ter um resultado eleitoral?”, perguntou Cadu.

O ex-secretário estadual de Fazenda reconheceu que a engorda era uma obra necessária diante do avanço do mar, mas sustentou que a execução comprometeu os resultados esperados. “Eu me criei jogando futebol na Praia de Ponta Negra. A Praia de Ponta Negra é o maior cartão-postal do nosso Estado. E você jogou R$ 100 milhões para fazer uma obra necessária, mas às pressas e mal feita”, afirmou.

Concluída no fim de 2024, na reta final da gestão de Álvaro Dias, a obra de engorda ampliou a faixa de areia de Ponta Negra com o objetivo de conter os efeitos do avanço do mar, como a erosão costeira. Falhas no sistema de drenagem complementar, porém, geraram um novo problema: a formação de alagamentos na faixa de areia após dias de chuva. Além disso, a praia registrou voçorocas, o que arrastou volumes de areia, desmanchando a engorda em alguns trechos.

O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública cobrando obras emergenciais, manutenção e limpeza da área, além da reestruturação do sistema de drenagem. O órgão aponta riscos para a saúde pública, a atividade turística, o Morro do Careca e a preservação da própria faixa de areia criada pela engorda.

Durante o debate, Álvaro exibiu fotografias da praia antes da intervenção para justificar a decisão de executar a obra. Segundo ele, o avanço do mar ameaçava o calçadão e modificava a configuração do Morro do Careca, exigindo uma ação imediata do poder público.

“Olha como estava aqui: a maré encostando, destruindo o calçadão, destruindo o Morro do Careca, que é o nosso cartão-postal. O Morro do Careca estava se transformando numa grande falésia”, afirmou o candidato do PL.

Álvaro acusou Cadu e também Robério Paulino (Psol) de se posicionarem contra uma intervenção que considera fundamental para a economia da cidade. “Você e Robério Paulino queriam que Natal e Ponta Negra fossem destruídas, prejudicando milhares de empregos, pessoas que vivem e sobrevivem do turismo e 70% dos investimentos turísticos da cidade de Natal, que estão localizados na Praia de Ponta Negra”, declarou.

O ex-prefeito também destacou o aumento da faixa de areia depois da obra. “Vocês deviam fazer uma reflexão e repensar esse negócio. Porque falam mal da Praia de Ponta Negra, uma praia tão bonita, tão agradável, recuperada com 50 metros de faixa de areia na maré cheia e 100 metros na maré seca, trazendo tranquilidade para as pessoas que frequentam e para os turistas que visitam a cidade”, disse.

Ao rebater Cadu, Álvaro contestou as críticas aos resultados da intervenção e questionou a dureza das declarações do adversário. “Como é que você tem coragem de dizer um negócio desse sobre a Praia de Ponta Negra? A praia é bonita”, afirmou.

Robério também atacou a execução da obra e protagonizou um dos momentos mais irônicos do debate. O candidato do Psol disse que entregaria uma galocha a Álvaro Dias, informando que o objeto teria sido enviado por moradores de Ponta Negra para que o ex-prefeito pudesse caminhar pela área depois das chuvas.

“Eu queria perguntar ao candidato Álvaro Dias se ele já foi, depois de uma chuva, à Praia de Ponta Negra. Eu vou dar daqui a pouco para ele uma galocha, que foi um presente dos moradores de Ponta Negra, candidato, para o senhor andar na sua piscina que o senhor fez em Ponta Negra”, provocou.

Robério classificou o resultado da obra como desastroso e perguntou se Álvaro pretendia reproduzir no Governo do Estado o mesmo padrão administrativo. “O senhor quer destruir o Estado do Rio Grande do Norte como destruiu Ponta Negra? Nosso principal cartão-postal, prejudicando os barraqueiros, a população, o comércio e o turismo do Estado? É lamentável. Um desastre”, afirmou.

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Candidatos ao Governo Cadu Xavier e Álvaro Dias – Fotos: Youtube/Reprodução

O candidato do Psol também recordou a entrada de Álvaro na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), durante a cobrança pela licença ambiental da obra. “O senhor invadiu o Idema de forma irresponsável, sem ouvir o Idema, para fazer aquela bobagem que o senhor fez em Ponta Negra”, atacou.

Álvaro reagiu chamando Robério de desinformado e afirmou que o adversário desconhecia a situação enfrentada pela praia antes da intervenção. “O professor Robério falou que a gente destruiu Ponta Negra. Desinformado. O professor não mora aqui em Natal”, respondeu.

Ao mostrar novamente uma fotografia do período anterior à engorda, o candidato do PL concluiu: “Olha aqui como era Ponta Negra antes da engorda. Era assim que o professor Robério queria a Praia de Ponta Negra”.

Construção de reservatórios

Para tentar reduzir os alagamentos na faixa de areia de Ponta Negra, a Prefeitura do Natal pretende construir três reservatórios subterrâneos de infiltração no bairro. As estruturas deverão reter e infiltrar gradualmente parte da água da chuva antes que ela chegue à praia, diminuindo a formação de grandes poças e o risco de voçorocas.

Os reservatórios serão implantados na Rua João Rodrigues de Oliveira, próximo ao restaurante Old Five; na Avenida Praia de Pirangi, nas proximidades do Ô Bar; e na Rua Francisco Gurgel, em frente ao Visual Praia Hotel. As estruturas, que poderão alcançar 250 metros de comprimento e três metros de profundidade, receberão água proveniente da Vila de Ponta Negra, de outras áreas do bairro e da Avenida Engenheiro Roberto Freire.

A licitação recebeu quatro propostas e já foi concluída. A Construtora Ramalho Moreira venceu o certame com uma oferta de R$ 20,45 milhões. A empresa Arko Construções apresentou o menor lance, de R$ 20,18 milhões, mas foi inabilitada por não comprovar exigências técnicas previstas no edital.

O projeto também prevê dispositivos complementares de drenagem e deverá reforçar os 17 dissipadores já instalados ao longo da orla, que reduzem a velocidade da água, mas não evitam que grandes volumes cheguem à praia.

A gestão municipal ainda não informou quando as obras serão iniciadas. Mesmo com a licitação homologada, ainda são necessárias as etapas administrativas para formalização do contrato e emissão da ordem de serviço.