O ex-assessor parlamentar Laércio Cardoso de Lima acusa o gabinete da vereadora de Natal e candidata a deputada federal Thabatta Pimenta (PV) de exigir a devolução de parte de seu salário, numa prática conhecida como “rachadinha”. Segundo ele, a cobrança começou quando passou a morar na casa da parlamentar, onde afirma ter preparado refeições, cuidado do irmão dela, Ryan, e realizado outras tarefas particulares enquanto era remunerado pela Câmara Municipal.
Laércio disse que recebia R$ 2,4 mil e que, ao aceitar a proposta para morar na residência, foi informado de que sua remuneração subiria para R$ 3,8 mil. Desse valor, segundo seu relato, R$ 800 deveriam ser entregues à chefe de gabinete. “Precisava mandar de volta R$ 800, sempre em espécie para não ficar rastro”, afirmou. A declaração foi dada em entrevista à advogada e influenciadora Brenda Martins, que publicou o material em seu Instagram no sábado 26.

O ex-assessor afirma que os serviços prestados na casa não tinham relação com sua função parlamentar. “Eu recebia da Câmara e ainda tinha que devolver”, disse. Sobre os cuidados com Ryan, relatou: “Era eu que dava banho, dava remédio, dava comida, que cozinhava e botava ele pra dormir”.

“Thabatta Pimenta é a maior farsa desse estado do Rio Grande do Norte. Enquanto mãe atípica, é uma farsa. Ela não cuida daquele irmão. Ela usa o irmão, só em frente à câmera. Quando a câmera liga, aí ela passa a ser mãe atípica. O dia todo, o cuidado era meu. Mas, quando a gente chega com ele no evento, que desce e coloca na cadeira de rodas, ela dá um empurrão em você e ela assume a cadeira para mostrar para a sociedade que é ela quem cuida”, acrescentou o ex-assessor.
A nomeação de Laércio Cardoso como assessor parlamentar do gabinete de Thabatta consta de portaria publicada em 3 de janeiro de 2025, dois dias depois da posse da vereadora no mandato. A exoneração de Laércio foi formalizada em 22 de abril de 2026, sem indicação do motivo.
Laércio também acusa o gabinete de ter exigido dinheiro dos assessores para comprar móveis. Segundo ele, os integrantes da equipe tiveram de entregar o primeiro salário a outra servidora para custear a estrutura do espaço. “O primeiro salário de assessor, todos nós tivemos que passar para as mãos de outra assessora para comprar a mobília”, declarou. O ex-assessor afirma que parte do mobiliário serviria para a preparação pessoal de Thabatta e que servidores cuidavam do cabelo da vereadora enquanto pessoas aguardavam atendimento.
Outra acusação envolve deslocamentos pelo Rio Grande do Norte. Laércio afirma que Thabatta utilizava carro e combustível da Câmara em viagens de campanha e que os assessores precisavam pagar a própria alimentação. “Ela dizia que nós tínhamos salário, que era uma obrigação nossa bancar”, relatou.
Laércio ainda descreveu um ambiente de intimidação no gabinete. Segundo ele, dos 13 assessores inicialmente nomeados, apenas três permaneceriam na equipe. Afirmou que os demais foram exonerados após episódios de humilhação e que antigos servidores teriam receio de falar.
Em manifestação pública, sem citar Laércio pelo nome, Thabatta afirmou que tentam lhe “imputar coisas absurdas”, relacionou os ataques à disputa eleitoral e disse que deixa essas questões a cargo da Justiça. A vereadora defendeu sua relação com Ryan e declarou: “Deixem a minha maternidade atípica em paz”. Na manifestação, ela não respondeu individualmente às alegações sobre devolução de salários, trabalho na residência, compra de móveis e uso de recursos da Câmara em viagens.