A indústria da construção do Rio Grande do Norte registrou crescimento pelo segundo mês consecutivo em agosto, mantendo desempenho diferente do observado no conjunto do País. O indicador de evolução da atividade potiguar ficou em 52,7 pontos, ante 54,7 em julho, segundo a Sondagem Indústria da Construção, elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
Apesar do recuo de dois pontos na comparação mensal, o resultado permanece acima da linha de 50 pontos, que separa crescimento de queda da atividade. O índice de agosto também foi o maior para o mês desde 2022, quando chegou a 55,1 pontos. Em julho, a atividade havia alcançado 54,7 pontos, maior resultado para aquele mês desde o início da série histórica, em 2010.

O avanço da construção no Estado também foi acompanhado pelo aumento da Utilização da Capacidade Operacional (Uco). O indicador passou de 39% em julho para 45% em agosto, alta de seis pontos porcentuais em um mês. O movimento recupera parte da queda observada anteriormente, uma vez que a Uco havia recuado de 48% em junho para 39% em julho.
O número de trabalhadores, por outro lado, não acompanhou a expansão da atividade. O indicador de evolução do emprego marcou exatamente 50 pontos em agosto, patamar que representa estabilidade em relação ao mês anterior. Foi o segundo mês consecutivo sem avanço ou redução do quadro de empregados nas empresas consultadas.
O desempenho potiguar contrasta com o resultado nacional. No Brasil, a atividade da construção caiu de 47,3 pontos em julho para 44,7 em agosto. O emprego também recuou, de 48,3 para 45,8 pontos. A utilização da capacidade operacional nacional passou de 66% para 65%. A pesquisa nacional ouviu 313 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro.
Para os próximos seis meses, os empresários potiguares continuam prevendo aumento da atividade, mas reduziram o grau de otimismo em setembro. O índice de expectativa para o nível de atividade ficou em 52,7 pontos, enquanto o de novos empreendimentos e serviços atingiu 53,1. As compras de insumos e matérias-primas ficaram em 50,5 pontos, pouco acima da linha que separa perspectivas de crescimento e queda.
A principal mudança aparece nas expectativas para o mercado de trabalho. O indicador sobre o número de empregados caiu para 47,8 pontos, mostrando que os empresários passaram a prever redução das contratações nos próximos seis meses. Em agosto, esse mesmo indicador estava em 54,7 pontos e apontava expectativa de aumento do quadro de trabalhadores.
A intenção de investimento apresentou movimento contrário. O índice avançou de 30,1 pontos em agosto para 33,4 em setembro. Embora tenha recuperado parte da queda registrada no levantamento anterior, permanece abaixo dos 32,9 pontos observados em julho.
As perspectivas do Rio Grande do Norte também diferem das nacionais. No conjunto do País, os quatro indicadores de expectativa da construção ficaram abaixo de 50 pontos em setembro, sinalizando previsão de retração da atividade, das compras de insumos, do emprego e dos novos empreendimentos nos próximos seis meses. A intenção de investimento nacional também caiu, de 42,4 para 39,7 pontos.
CONSTRUÇÃO EM NÚMEROS
Atividade em agosto: 52,7 pontos
Atividade em julho: 54,7 pontos
Referência: acima de 50 pontos indica crescimento
Sequência: segundo mês consecutivo de expansão
UCO em julho: 39%
UCO em agosto: 45%
Variação da UCO: +6 pontos porcentuais
Emprego em agosto: 50 pontos, indicando estabilidade
Expectativa de atividade: 52,7 pontos
Expectativa de novos empreendimentos: 53,1 pontos
Expectativa de compras de insumos: 50,5 pontos
Expectativa de emprego: 47,8 pontos
Intenção de investimento: de 30,1 para 33,4 pontos
Brasil — atividade em agosto: 44,7 pontos
Fonte: CNI/Fiern