A escalada militar entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 22, após as Forças Armadas iranianas anunciarem ataques contra alvos militares americanos na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait, ao mesmo tempo em que advertiram que novas ofensivas de Washington poderão ampliar o conflito para toda a região do Oriente Médio.
Os ataques ocorreram horas depois de o presidente Donald Trump voltar a ameaçar bombardear a chamada Montanha da Picareta (Pickaxe Mountain ou Kuh-e Kolang Gaz La), complexo subterrâneo próximo à instalação nuclear de Natanz que, segundo serviços de inteligência ocidentais, poderá abrigar equipamentos para enriquecimento de urânio. Autoridades da Jordânia, do Kuwait e do Bahrein confirmaram a ativação de sistemas de defesa aérea diante de drones e mísseis iranianos, enquanto a União Europeia ampliou alertas para a aviação civil sobre o espaço aéreo da região.

Em declarações feitas na terça-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos atacarão a instalação “muito em breve e com muita força”, reforçando ameaças feitas nas últimas semanas. A Montanha da Picareta está localizada a cerca de 1,6 quilômetro do complexo nuclear de Natanz e vem sendo construída desde 2020, após sucessivos episódios de sabotagem contra instalações nucleares iranianas. Imagens de satélite mostram que as obras prosseguiram mesmo após os bombardeios realizados em 2025 e indicam o reforço da infraestrutura de segurança ao redor dos túneis.
Segundo avaliações do Institute for Science and International Security, o complexo está enterrado a mais de 90 metros de profundidade, o que dificulta sua destruição mesmo com o emprego das bombas antibunker mais potentes do arsenal americano. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ainda não teve acesso ao local, enquanto o governo iraniano afirma que a instalação não abriga atividades nucleares e acusa Washington de utilizar o tema como justificativa para ampliar a ofensiva militar.
A troca de ameaças também passou a envolver infraestrutura civil e rotas estratégicas para o comércio global. Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que os Estados Unidos destruirão “uma ponte ou uma usina elétrica” a cada ataque iraniano contra embarcações no Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo. Em resposta, autoridades iranianas afirmaram que instalações energéticas e outras estruturas nas quais os Estados Unidos tenham interesses passarão a ser consideradas alvos legítimos caso novos ataques americanos sejam realizados.
O principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou o foco americano na Montanha da Picareta como “um pretexto fabricado para agressão, destruição e sabotagem”. Segundo autoridades iranianas, Teerã manterá sua capacidade de responder militarmente em qualquer ponto da região, inclusive preservando o controle estratégico sobre o Estreito de Ormuz.
O agravamento do conflito amplia preocupações geopolíticas e econômicas. Além do risco de interrupções no fluxo de petróleo e gás pelo Golfo Pérsico, analistas avaliam que uma ofensiva contra a Montanha da Picareta poderá produzir consequências militares imprevisíveis, sobretudo porque especialistas consideram improvável que ataques exclusivamente aéreos sejam suficientes para neutralizar uma instalação construída em grande profundidade.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão política interna sobre a Casa Branca. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, informou ao Congresso que os gastos americanos com a campanha militar já alcançaram US$ 37,5 bilhões, enquanto o governo solicitou recursos adicionais de US$ 67 bilhões para manter as operações. A ampliação das hostilidades, somada às ameaças recíprocas envolvendo infraestrutura crítica e bases militares espalhadas pelo Oriente Médio, reforça o temor de que o confronto deixe de ser bilateral e evolua para um conflito regional de maior escala, com reflexos sobre a segurança energética e a economia mundial.