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Editorial

Vamos ao que importa: o futuro do RN

Confira o editorial do Agora RN desta quarta-feira 8
Redação
08/04/2026 | 06:06

Encerrado o prazo para filiações partidárias em 4 de abril, o cenário político do Rio Grande do Norte entra em uma nova fase. Os movimentos mais intensos dos bastidores deram lugar a um quadro mais definido. Os times das legendas estão, em grande medida, escalados. É verdade que as candidaturas ainda não existem formalmente — isso só ocorrerá após as convenções —, mas o desenho geral já está posto. E é justamente nesse momento que o debate precisa mudar de natureza.

Sai a lógica das articulações e entra, ou deveria entrar, a discussão sobre o futuro do Estado.

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Encerrado o prazo para filiações partidárias em 4 de abril, o cenário político do RN entra em uma nova fase - Foto: José Aldenir / Agora RN

Com a apresentação dos pré-candidatos ao governo, ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa, forma-se um conjunto de nomes que se colocam à disposição para conduzir os destinos do Rio Grande do Norte. Cada um traz consigo uma visão de mundo, uma leitura da realidade e, espera-se, um conjunto de propostas. Mas a pergunta que precisa orientar o eleitor é: quais são, afinal, os desafios do Estado?

Os problemas do Rio Grande do Norte são conhecidos, antigos e, em muitos casos, repetidos eleição após eleição.

Há décadas se fala da precariedade da educação básica, do analfabetismo persistente, da baixa qualidade do ensino e da desvalorização dos profissionais. O tema volta sempre, com novas promessas, mas com resultados ainda aquém do necessário. A estrutura das escolas, a formação continuada dos professores, a capacidade de retenção dos alunos… tudo isso já foi diagnosticado inúmeras vezes.

O mesmo quadro se aplica à saúde pública. Filas para cirurgias, dificuldade de acesso a exames, carência de medicamentos, gargalos na atenção básica e sobrecarga nos serviços de média e alta complexidade. Não há novidade no diagnóstico. O que falta, reiteradamente, é a capacidade de execução.

No campo econômico, o roteiro também é conhecido. O Estado precisa melhorar o ambiente de negócios, criar condições para atrair investimentos, fomentar a indústria, o comércio e os serviços, gerar empregos. O turismo, apontado como vocação natural do Rio Grande do Norte, segue carecendo de uma política estruturada, contínua, que vá além de ações pontuais. Falta qualificação de mão de obra, falta estratégia de promoção, falta visão de longo prazo.

Ainda assim, a cada ciclo eleitoral, o que se vê é a repetição de promessas que, muitas vezes, soam familiares demais. O discurso muda pouco, os compromissos se renovam no papel, mas os problemas permanecem.

Isso levanta uma questão incômoda: por que avançamos tão pouco em áreas que já foram amplamente diagnosticadas? Parte da resposta está na forma como a política tem sido conduzida, e também na maneira como a sociedade reage a ela.

Promessas vagas, soluções genéricas e discursos emocionais continuam encontrando espaço. O eleitor, por sua vez, muitas vezes se deixa conduzir por critérios que pouco têm a ver com a capacidade de gestão ou com a consistência das propostas. Redes sociais, vídeos curtos, frases de efeito. Tudo isso tem seu peso, mas não pode substituir o debate sério.

É aqui que entra o papel das instituições, das entidades e, de maneira especial, dos veículos de comunicação. Cabe provocar, questionar, cobrar. Não apenas registrar declarações, mas exigir conteúdo. Não apenas reproduzir agendas, mas estimular o confronto de ideias.

O GRUPO AGORA RN, com seus veículos, se propõe a cumprir esse papel: contribuir para elevar o nível do debate, trazer à tona os temas essenciais, cobrar dos candidatos clareza e compromisso. Não se trata de tomar partido, mas de exigir que o processo político esteja à altura dos desafios do Estado.

Porque, no fim das contas, a eleição não é um fim em si mesma. É um meio. Um instrumento para que a sociedade escolha quem terá a responsabilidade de governar, legislar e decidir. E essa escolha precisa ser feita com base em algo mais sólido do que promessas repetidas.

Ideologias, neste momento, são secundárias diante do tamanho dos problemas. O que importa é a capacidade de apresentar soluções viáveis, de executar políticas públicas, de produzir resultados concretos.

O Rio Grande do Norte não pode se dar ao luxo de repetir indefinidamente os mesmos erros. O momento exige maturidade política, responsabilidade e compromisso real com o desenvolvimento.

Que este novo ciclo não seja apenas mais um. Que a campanha que se avizinha sirva para algo além da disputa pelo poder. Que seja, de fato, um espaço de discussão sobre o que precisa ser feito — e como será feito. E que o eleitor, por sua vez, esteja atento. Porque política é coisa séria. E o futuro do Estado depende das escolhas que começam a ser desenhadas agora.