Restando pouco menos de seis meses para as eleições, a pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte parece ter, enfim, iniciado de forma mais visível nesta semana. Entrevistas, declarações públicas e movimentações políticas indicam que os pré-candidatos começam a ocupar espaço no debate público e a delinear suas estratégias. O que chamou atenção, contudo, não foi a apresentação de propostas ou ideias para o futuro do Estado. Em vez disso, prevaleceram apontamentos de falhas de gestões passadas e tentativas de polarização entre representantes da direita e da esquerda, em ataques indiretos ao líder nas pesquisas, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra. Em vez de disputar o futuro, os candidatos disputam o passado alheio.
O tom adotado nesse início sinaliza que a disputa deverá ser intensa no campo das acusações e das divergências ideológicas. Entretanto, a julgar pelas primeiras manifestações, há o risco de que a campanha seja pobre em discussões objetivas e carente de propostas concretas para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Trata-se, em parte, da dinâmica natural das eleições, em que o objetivo primordial é conquistar a simpatia do eleitorado. Ainda assim, é preocupante que o debate público se restrinja a disputas retóricas, em detrimento de soluções estruturantes para os problemas do Estado.

Há, também, um fator cultural que ajuda a explicar essa realidade. No Brasil, promessas eleitorais frequentemente são recebidas com desconfiança, muitas vezes tratadas como meros contos da carochinha. A cada pleito, multiplicam-se compromissos e projetos que, após a posse dos eleitos, acabam esquecidos ou engavetados. Esse ciclo recorrente contribui para a descrença da população e ajuda a compreender por que áreas essenciais, como educação, saúde e segurança pública, continuam enfrentando desafios históricos e, não raro, carecem de cobrança mais rigorosa por parte da sociedade.
O resultado desse processo é um país de imenso potencial econômico e humano, mas ainda marcado por profundas desigualdades sociais e déficits estruturais. A fragilidade do senso cívico e a baixa participação crítica do eleitorado acabam por perpetuar práticas políticas ineficientes e atrasam o desenvolvimento nacional. Não se trata apenas de responsabilidade dos governantes, mas também de um compromisso coletivo com o futuro da nação.
No caso do Rio Grande do Norte, os desafios são conhecidos e se repetem ao longo das décadas. A educação permanece como um dos principais gargalos, evidenciada por desempenhos constrangedores em indicadores e pela necessidade urgente de investimentos em alfabetização e qualificação profissional. Soma-se a isso a necessidade de melhorar o ambiente de negócios, atrair investimentos e estimular a industrialização, criando oportunidades de emprego e renda. Também figuram entre as prioridades o fortalecimento do sistema de saúde, a modernização da infraestrutura e a melhoria da mobilidade urbana e regional.
A realidade fiscal do Estado agrava esse cenário. O Rio Grande do Norte compromete parcela significativa de suas receitas com despesas obrigatórias, especialmente com pessoal e custeio, restando pouco espaço para investimentos estruturantes. Esse modelo limita o crescimento econômico e contribui para a estagnação, refletindo-se diretamente na qualidade de vida da população. Enquanto isso, estados vizinhos avançam em ritmo mais acelerado. Ceará, Pernambuco e Paraíba, apesar de seus desafios, têm demonstrado capacidade de planejamento e organização administrativa, colhendo resultados visíveis no desenvolvimento econômico e social.
É certo que, nos próximos meses, o eleitorado ouvirá uma profusão de propostas. Algumas serão consistentes e factíveis; outras, mirabolantes ou meramente eleitoreiras. O risco, contudo, é que muitas delas não ultrapassem o papel. Nesse contexto, torna-se indispensável que a sociedade evolua em sua consciência política, exercendo de forma mais ativa o dever de fiscalizar e cobrar resultados de seus representantes.
Ao longo das últimas décadas, o Rio Grande do Norte conviveu com gestões marcadas por limitações administrativas e ausência de planejamento estratégico. O Estado cresceu em tamanho e responsabilidades, mas sem a correspondente eficiência na gestão dos recursos públicos. Investimentos estruturantes permaneceram aquém do necessário, contribuindo para a estagnação econômica e o empobrecimento relativo da população.
Diante desse cenário, cabe à imprensa exercer seu papel com independência e responsabilidade. O Grupo Agora RN, por meio de seus veículos de comunicação, continuará a informar com rigor, promover reflexões qualificadas, combater práticas atrasadas e defender o interesse público. Mais do que noticiar os fatos, cabe pautar o debate e cobrar dos postulantes e governantes propostas viáveis e compromisso com o desenvolvimento econômico e social do Estado.
A política, em sua essência, deve servir à coletividade. Essa é a verdadeira missão do serviço público e o propósito daqueles que se propõem a governar. Que o processo eleitoral que se avizinha seja marcado não apenas por disputas e acusações, mas por ideias, planejamento e compromisso com o futuro do Rio Grande do Norte. Afinal, é na política com “P” maiúsculo que reside a esperança de progresso e de melhoria da vida dos potiguares.