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Opinião

Time de Lula tem chapa, mas não acordo no RN

Confira a coluna de opinião desta quinta-feira 21
Redação
21/05/2026 | 05:19

A base governista saiu da reunião desta quarta-feira com uma chapa para mostrar, mas ainda sem uma composição para chamar de resolvida. Os partidos aliados da governadora Fátima Bezerra (PT) deram forma ao desenho principal do chamado “time de Lula” no Rio Grande do Norte: Cadu Xavier (PT) como pré-candidato ao Governo do Estado e Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) como nomes ao Senado. A fotografia, no entanto, é mais bonita que o bastidor. Por trás do gesto de unidade, continuam abertas as disputas pela vaga de vice-governador e pelas quatro suplências senatoriais.

O encontro reuniu representantes da federação formada por PT, PV e PCdoB e também dos partidos PDT e PSB. A fala pública foi de alinhamento. Hugo Manso, pelo PT, afirmou que as três candidaturas principais estão definidas: Cadu, Samanda e Rafael. Larissa Rosado, presidente estadual do PSB, também confirmou os nomes ao Senado. Mas os dois deixaram claro que as demais peças da chapa ficam para depois. A tradução política é simples: o cartaz está pronto, mas a divisão dos espaços ainda está em aberto.

Chapa PT
Time de Lula tem chapa, mas não acordo no RN - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

É justamente nesse “depois” que mora a disputa. A vaga de vice de Cadu virou o principal prêmio de consolação — ou de atração — para ampliar a chapa, dar capilaridade e tentar seduzir novos aliados. O nome de Júlia Almeida (PSDB) ganhou força nos bastidores, especialmente depois de aparecer em posição de destaque ao lado de Fátima e Cadu na missa de aniversário da governadora. O problema é que Júlia está filiada ao PSDB, legenda rachada entre Cadu, Álvaro Dias (PL), Allyson Bezerra (União) e o velho conforto do muro.

As suplências ao Senado também deixaram de ser detalhe. A primeira suplência de Rafael, inicialmente reservada a Jean Paul Prates dentro de um acordo costurado dentro do PDT, passou a ser cobiçada por outros partidos da base. Rafael cresceu, ganhou viabilidade e, com isso, sua suplência ficou valiosa demais para ser tratada como assunto doméstico de uma só legenda.

No fim, a reunião organizou a vitrine, mas não arrumou o estoque. O “time de Lula” já tem camisa, escalação principal e discurso. Falta combinar quem senta no banco, quem entra em campo e quem aceita apenas bater palma na arquibancada.

Fritura

Jean Paul Prates entrou no forno da chapa governista. O acordo interno do PDT previa Rafael Motta como candidato ao Senado e Jean como primeiro suplente, numa espécie de mandato compartilhado. Mas, com Rafael ganhando peso eleitoral, a cadeira virou cobiçada. Partidos da base reclamam que não foram chamados para pactuar o arranjo. Sem veto formal, cresce a leitura de que o PT ainda pode mexer na panela.

Xadrez

O PSDB virou a peça que todos querem mover, mas ninguém consegue controlar. A base governista mira o partido para fechar a vice de Cadu Xavier, mas a legenda está partida em vários tabuleiros: há nomes próximos de Cadu, outros já inclinados a Álvaro Dias (PL) e um grupo ainda no muro. A saída mais confortável pode ser liberar os deputados, preservar a nominata e não entregar tempo de TV.

Sinal

Júlia Almeida ganhou holofote na missa de aniversário da governadora Fátima Bezerra, em Ponta Negra, ao aparecer sentada entre Fátima e Cadu. Em política, lugar em fotografia raramente é acaso. O gesto foi lido como sinal de que Júlia é hoje nome forte para vice. Filha da secretária de Planejamento, Virgínia Ferreira, e esposa do prefeito de Parelhas, Tiago Almeida, ela depende, porém, de uma equação difícil: o PSDB coligar oficialmente com o PT.

Escalação

Rafael Motta chegou há pouco ao PDT, mas já apareceu na prancheta do presidente nacional Carlos Lupi como nome prioritário da legenda para 2026. Publicação em formato de escalação colocou o ex-deputado no “time titular” do trabalhismo nacional.

Ofensiva

Álvaro Dias usou Brasília como vitrine e balcão de articulação. Durante a Marcha dos Prefeitos, circulou com deputados federais, estaduais, prefeitos e lideranças do interior, tendo Babá Pereira (PL) ao lado como pré-candidato a vice. O foco foi claro: ganhar corpo onde precisa crescer, sobretudo no Oeste e no Alto Oeste. O apoio de Taveira Júnior (PSDB), com base na Grande Natal, ainda deu ao movimento um tempero extra.

Varejo

Allyson Bezerra tenta abrir caminho em Natal enquanto mantém a agenda viva em Brasília. Evento na Zona Norte organizado com lideranças locais foi recado direto em território onde Álvaro Dias tem recall de ex-prefeito. A presença de apoios cruzados mostra a eleição real, longe dos discursos de palanque: cada vereador, suplente e liderança negocia governo, Senado e proporcionais no varejo, conforme seu próprio mapa de sobrevivência.