A pré-campanha para o Governo do Rio Grande do Norte começa a expor uma das marcas mais previsíveis da eleição de 2026: a chamada “salada de apoios”. Pelo estado afora, vereadores, deputados, prefeitos e lideranças municipais muitas vezes apoiam candidatos de palanques diferentes, mantendo vínculos políticos com grupos adversários.
O exemplo mais recente apareceu em evento do vereador João Batista Torres (DC), na Zona Oeste de Natal. Na ocasião, ele declarou apoio ao pré-candidato ao Governo Allyson Bezerra (União). No mesmo ato, marcou presença o vereador Eriko Jácome (PP), presidente da Câmara Municipal de Natal. O detalhe é que Eriko é associado ao grupo que trabalha pela candidatura de Álvaro Dias (PL) ao governo, o que inclui o prefeito Paulinho Freire (União) — de quem João Batista também é apoiador.

A leitura é a seguinte: a eleição estadual de 2026 já está contaminada pelas disputas municipais de 2028. Lideranças locais não se movimentam apenas olhando para o Governo do Estado. Elas também calculam quem pode fortalecê-las em suas cidades daqui a dois anos. Por isso, em muitos municípios, um grupo que apoia Allyson pode enfrentar outro grupo ligado a Álvaro, enquanto lideranças do mesmo campo local mantêm compromissos diferentes na disputa proporcional.
A movimentação também aparece no interior. Álvaro Dias tem buscado apoios em áreas onde Allyson Bezerra possui força política, especialmente na Costa Branca. Em Tibau, Grossos, Areia Branca e Upanema, a disputa estadual tende a refletir rivalidades municipais. Ao procurar grupos de oposição a prefeitos aliados de Allyson, Álvaro tenta transformar o conflito local em combustível para sua pré-campanha.
ALERTAS
As derrotas do PT nas eleições suplementares de Itaú e Ouro Branco acenderam alerta no grupo governista. Mesmo em cidades pequenas, aliados avaliam que o resultado expôs dificuldades de mobilização no interior. A derrota ocorre justamente no momento em que a pré-campanha de Cadu Xavier (PT) tenta consolidar alianças regionais para 2026.
ITAÚ
Allyson Bezerra (União Brasil) comemorou a vitória de Zé Roberto Pezão (União) em Itaú. O ex-prefeito de Mossoró participou da campanha e reforçou presença no Alto Oeste. Nos bastidores, aliados avaliam que o resultado fortalece o discurso de interiorização da pré-campanha e amplia a presença política do União Brasil.
OURO BRANCO
A eleição suplementar de Ouro Branco terminou decidida por apenas 17 votos. O resultado apertado mostrou uma cidade completamente dividida entre os grupos liderados pelo PP e pelo PT. A disputa ganhou peso estadual pela presença de lideranças como João Maia (PP) e Adjuto Dias (PL) no palanque vencedor.
BABÁ
A movimentação de Babá Pereira (PL) no interior tem chamado atenção nos bastidores políticos. Enquanto Álvaro Dias (PL) cumpre agendas paralelas, o pré-candidato a vice amplia articulações em cidades importantes. A avaliação entre aliados é de que Babá começa a ocupar papel decisivo na consolidação da chapa oposicionista para 2026.
SENADO
O bloco governista consolidou a formação da chapa majoritária ao Senado com Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT). O gesto praticamente encerra especulações sobre mudanças internas. Agora, o principal impasse passa a ser a definição das suplências, tema que já provoca tensão entre partidos aliados e lideranças da federação governista.
JEAN
O nome de Jean Paul Prates virou centro de um novo desgaste interno no grupo governista. Partidos aliados resistem à possibilidade de o PDT ficar simultaneamente com candidatura ao Senado e primeira suplência. O debate promete dominar as conversas da base governista, especialmente na relação entre PT, PDT, PSB e PCdoB.
EZEQUIEL
Mesmo com a consolidação da chapa ao Senado, o PT mantém o desejo de atrair Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, para a vaga de vice-governador. O movimento reforça a estratégia do governismo de ampliar diálogo com setores do PSDB e fortalecer a base política de Cadu Xavier (PT).