BUSCAR
BUSCAR
Thiago Medeiros

RN 2026: o jogo dos três grupos

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quinta-feira 16
Thiago Medeiros
16/07/2026 | 05:17

Muito se fala sobre uma polarização ideológica no Rio Grande do Norte, como se o cenário estadual fosse apenas um reflexo automático da disputa nacional. Há quem veja dois polos bem definidos. Mas, olhando com mais atenção, a fotografia parece mais complexa. Em vez de polos, talvez seja mais útil falar em grupos eleitorais.

A partir das pesquisas já publicadas, e não faltam levantamentos num estado que se tornou campeão em sondagens eleitorais, é possível identificar quatro combinações iniciais: lulistas que aprovam o governo Fátima, lulistas que desaprovam o governo Fátima, bolsonaristas que aprovam o governo Fátima e bolsonaristas que desaprovam o governo Fátima. Não se trata aqui de números fechados, mas de tendências observáveis.

URio Grande do Nortea eletrônica Foto FeRio Grande do Norteando Frazão ABr
RN 2026: o jogo dos três grupos - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O primeiro movimento relevante é que um desses grupos praticamente desaparece quando a eleição se aproxima: o dos bolsonaristas que aprovam o governo Fátima. Esse eleitor existiu ao longo da gestão, mas o ambiente eleitoral força uma definição mais clara de identidade política. À medida que a disputa ganha corpo, a tendência dominante é a migração para o campo da desaprovação ao governo estadual.

Do outro lado, também ocorre um movimento entre lulistas e avaliação do governo, mas de forma mais lenta e menos intensa. O resultado é que a disputa passa a girar, essencialmente, em torno de três grupos: lulistas que aprovam Fátima, lulistas que desaprovam Fátima e bolsonaristas que desaprovam Fátima.

Nesse desenho, Allyson Bezerra aparece como o candidato que consegue sobreviver alimentando-se dos três grupos ao mesmo tempo. Seu desempenho não parece superficial. Ele mantém presença forte sobretudo entre lulistas, tanto os que aprovam quanto os que desaprovam a governadora. Sua principal tarefa será escapar da nacionalização da disputa. Quanto mais o debate migrar para Brasília, maior a pressão sobre sua posição. Quanto mais permanecer nas dores locais, saúde, segurança, mobilidade e custo de vida, maior sua capacidade de preservar essa frente ampla.

Álvaro Dias, por sua vez, cresce principalmente no eleitorado bolsonarista que desaprova Fátima. Pesquisa após pesquisa, esse segmento demonstra maior alinhamento e disciplina eleitoral. É daí que vem parte da desidratação observada em Allyson nesse campo específico.

Já Cadu Xavier enfrenta o desafio mais difícil, embora longe de ser impossível, seu desafio se chama velocidade. Seu caminho passa pela consolidação do eleitor lulista identificado com o governo estadual. É justamente nesse grupo que ele vem crescendo e retirando votos de Allyson. Se conseguir ampliar essa identificação e unificar o campo governista, poderá transformar essa fatia em passaporte para o segundo turno.

No fim das contas, o destino da eleição potiguar ainda está em aberto. O jogo começou, mas os times ainda disputam a posse de bola. Álvaro e Cadu tentam assumir a titularidade dos grupos que lhes são mais naturais. Allyson luta para manter uma coalizão eleitoral construída mais sobre pautas locais do que sobre identidade ideológica. E é justamente desse movimento que sairá o ritmo real da corrida de 2026.