À medida que o calendário eleitoral avança e nos aproximamos das convenções partidárias, uma inquietação começa a surgir entre aqueles que acompanham o futuro do Rio Grande do Norte: onde estão as propostas concretas para o desenvolvimento do estado?
É verdade que o período atual ainda é marcado pelas movimentações políticas, articulações partidárias e construção de alianças. Mas também é verdade que o Rio Grande do Norte não pode esperar indefinidamente pelo debate sobre seu futuro econômico. O estado possui potencial. E muito. O que ainda falta aparecer com mais clareza são os caminhos que cada pré-candidato pretende seguir para transformar potencial em prosperidade.

Quero acreditar que os postulantes ao Governo do Estado estejam guardando suas principais propostas para o momento mais intenso da campanha. Afinal, seria frustrante chegar ao período eleitoral discutindo apenas pesquisas, estratégias e disputas políticas, enquanto os desafios estruturais permanecem sem respostas.
O Rio Grande do Norte precisa de um verdadeiro pacto pelo desenvolvimento. Um compromisso que vá além dos governos e envolva candidatos, imprensa, empresários, universidades, entidades de classe e toda a sociedade. Um pacto capaz de estabelecer prioridades e metas para as próximas décadas.
Os temas estão postos. Como ampliar a capacidade de investimento do Estado? Como criar um ambiente mais favorável para novos negócios? Qual será a estratégia para fortalecer a indústria do turismo, um dos setores mais importantes da nossa economia? O que fazer para impulsionar ainda mais o comércio e os serviços?
Também é necessário ouvir dos candidatos qual será o papel do Rio Grande do Norte na nova economia global. Somos referência em energias renováveis. Temos oportunidades ligadas ao hidrogênio verde. Possuímos condições competitivas para atrair data centers e empreendimentos de base tecnológica. Mas quais serão as ações concretas para transformar essas oportunidades em empregos, renda e arrecadação?
A infraestrutura também precisa entrar definitivamente na pauta. Projetos logísticos, como novas ferrovias e melhorias na integração dos modais de transporte, podem representar uma mudança histórica na competitividade potiguar. Sem logística eficiente, continuaremos perdendo oportunidades para estados que avançaram mais rapidamente nessa agenda.
A verdade é que estamos diante de uma janela de oportunidades que não ficará aberta para sempre. Outros estados nordestinos vêm se movimentando, atraindo investimentos e consolidando estratégias de longo prazo. O Rio Grande do Norte não pode se acomodar apenas na certeza de seu potencial.
Porque potencial, sozinho, não ganha jogo. Potencial é condição necessária, mas nunca suficiente. Chegou a hora de entrar em campo, apresentar projetos, assumir compromissos e jogar para valer. O desenvolvimento do Rio Grande do Norte exige menos discurso sobre possibilidades e mais clareza sobre o futuro que queremos construir.