BUSCAR
BUSCAR
Thiago Medeiros

A corrida começou faz tempo. A eleição, nem tanto

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quinta-feira 9
Thiago Medeiros
09/07/2026 | 05:40

A ansiedade tomou conta da política brasileira e, no Rio Grande do Norte, não foi diferente. À medida que as convenções partidárias se aproximam, encerra-se um dos períodos de pré-campanha mais intensos dos últimos anos. Os pré-candidatos percorreram o estado em ritmo acelerado, disputaram espaço nas redes sociais, buscaram consolidar apoios políticos e tentaram construir narrativas capazes de dialogar com o eleitor. As pesquisas oferecem fotografias do momento, mas o processo eleitoral é, por natureza, dinâmico. Daqui para frente, vencerá quem conseguir transformar estratégia em voto.

Allyson Bezerra apostou em uma campanha fortemente municipalizada. Ao percorrer praticamente todas as regiões do estado, procurou criar identificação com cada cidade por meio de histórias e conexões locais. Talvez tenha faltado aprofundar as dores específicas de cada município, mas a estratégia evidenciou uma característica que tende a marcar sua campanha: a velocidade. Allyson consolidou a imagem de um candidato presente, que circula intensamente e busca estreitar laços tanto com a população quanto com lideranças políticas. Em boa parte dos levantamentos aparece na liderança, embora o desafio agora seja resistir aos ataques dos adversários e ampliar seu conhecimento na capital, onde sua imagem ainda enfrenta obstáculos.

URio Grande do Nortea foto FeRio Grande do Norteando Frazão ABr
A corrida começou faz tempo. A eleição, nem tanto - Foto: Fernando Frazão/ABr

Álvaro Dias concentrou sua estratégia na construção de uma ampla rede de apoios. Sua engenharia política buscou oferecer capilaridade em todas as regiões do estado, trabalho impulsionado principalmente pela articulação do vice, Baba Pereira. O desafio, entretanto, continua sendo transformar essa estrutura política em conexão direta com o eleitor. Os levantamentos mostram dificuldades para romper determinado teto eleitoral, enquanto sua comunicação passou a priorizar críticas ao candidato governista e um posicionamento claramente identificado com o bolsonarismo. Trata-se de uma aposta que amplia a identificação com um segmento do eleitorado, mas também incorpora os riscos inerentes à polarização nacional.

Já Cadu Xavier, cada vez mais apresentado como “Cadu de Lula”, busca fazer da continuidade o eixo central de sua candidatura. Seu nome ganhou visibilidade ao longo da pré-campanha e acumulou importantes apoios políticos, tendo como principal ativo a presença do presidente Lula no estado. O desafio, porém, permanece complexo: transformar a maioria do eleitorado lulista em apoio efetivo à continuidade do projeto petista no Rio Grande do Norte, mesmo diante dos índices de desaprovação do governo estadual. Soma-se a isso a expectativa em torno da composição da chapa, especialmente a definição do vice, etapa que precisará ser conduzida com habilidade para evitar qualquer percepção de fragilidade.

Apesar da intensa movimentação dos pré-candidatos, a política ainda desperta interesse limitado em boa parte do eleitorado. Essa costuma ser uma característica do período anterior ao início oficial da campanha. Com as convenções e, posteriormente, com a propaganda eleitoral, a tendência é que o debate ganhe intensidade e novas peças passem a ocupar o tabuleiro. O xadrez eleitoral está apenas entrando em sua fase decisiva. Agora começa, de fato, a partida e esperamos que venha com propostas reais, o que tem faltado nessa pré campanha, debater o Estado. E, como ensina a política, tudo pode acontecer, inclusive nada.