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Thiago Medeiros

O tabuleiro trincado: o peso de Flávio Bolsonaro nos palanques do RN

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta sexta-feira 22
Thiago Medeiros
22/05/2026 | 05:26

O cenário político nacional foi sacudido recentemente com as revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As notícias sobre os negócios do senador provocaram oscilações negativas nas pesquisas de intenção de voto e arranharam a imagem da principal aposta da direita, acendendo o sinal de alerta nos diretórios regionais.

A onda de choque chegou com força ao Rio Grande do Norte, tensionando a formação de uma chapa majoritária que nunca foi vista como “bolsonarista raiz”.

Flávio Bolsonaro
O tabuleiro trincado: o peso de Flávio Bolsonaro nos palanques do RN - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A grande questão que ecoa nos bastidores potiguares é: a chapa liderada pelo ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao governo Álvaro Dias (PL) irá se distanciar ou manter o abraço no clã Bolsonaro? Os estrategistas de Álvaro parecem, por ora, insistir na tática da polarização nacional para tentar consolidar os votos da direita no Estado. Por mais de uma vez, disse apostar num segundo turno polarizado na eleição do RN.

No entanto, o custo dessa associação com o bolsonarismo subiu drasticamente.

Em uma guerra de narrativas em que quase tudo é munição, o ex-prefeito arriscaria ser carimbado pelos adversários por sua proximidade com uma candidatura ligada a Vorcaro? O prestígio de Flávio, que antes era visto como um motor de arranque eleitoral, hoje caminha na corda bamba entre ser um ativo político ou um verdadeiro peso de chumbo amarrado aos pés da campanha governista no RN.

Enquanto o PL local recalcula a rota e tenta conter os danos, o campo oposto capitaliza o desgaste da direita.

Pré-candidato alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier assiste ao cenário de camarote, consolidando o voto da esquerda e aproveitando a fragilização do discurso adversário. Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira, empurrou o caso do Master para o colo da família Bolsonaro.

“Parece que a situação de Flávio Bolsonaro só se complica. Depois de dizer que nem conhecia Daniel Vorcaro, agora admite que foi visitar o banqueiro logo após a prisão para, segundo ele, ‘botar um ponto final nessa história’. Tudo isso justamente após a pesquisa que mostrou o 01 de Bolsonaro despencando nas intenções de voto”, escreveu Cadu.

Já o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) mantém sua conhecida estratégia de neutralidade pragmática. Assim, se esquiva da polarização nacional e preserva seu capital político longe das polêmicas partidárias. “Eu não quero e nem tenho a intenção de influenciar o voto do cidadão para presidente”, disse, numa entrevista recente à TV Band.

Contudo, na dinâmica fluida da política brasileira, o diagnóstico de hoje pode virar fumaça amanhã. O tabuleiro atual reflete apenas o retrato do momento. Em um ambiente onde o imprevisível é a única constante, novas investigações, desdobramentos judiciais ou uma eventual delação premiada têm o poder de implodir alianças e redesenhar completamente o destino das urnas potiguares.