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Thiago Medeiros

Tabuleiro montado, mas o jogo está só começando

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quinta-feira 2
Thiago Medeiros
02/04/2026 | 07:24

O dia 4 de abril encerra apenas uma importante etapa do calendário político que organiza a disputa de 2026. É a data final para que os candidatos no próximo pleito estejam filiados à legenda pela qual pretendem ir para a disputa. Antes, na sexta-feira 3, esgota-se o prazo para que deputados estaduais e federais mudem de legenda livremente sem risco de perder o mandato — é a chamada janela partidária.

Engana-se, porém, quem acredita que a emoção diminui a partir daqui. Na verdade, é agora que passamos a enxergar com mais nitidez em qual time cada peça irá jogar e como o tabuleiro começa, de fato, a ganhar forma.

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Xadrez - imagem ilustrativa - reprodução

As nominatas proporcionais começam a adquirir cor, identidade e direção. Já a disputa majoritária, especialmente para o Governo do Estado, ganha novos contornos e passa a ter mais espaço para revelar estratégias, alianças e sinais políticos. É neste momento que cada pré-candidatura inicia a fase mais visível de organização de sua narrativa, enquanto equipes de comunicação e marketing passam a apresentar seus “produtos” ao eleitorado.

Nas pré-campanhas de 2026, chama atenção também o papel estratégico das pré-candidaturas a vice-governador. Não se trata apenas de composição formal de chapa, mas de uma escolha com função política definida: ampliar diálogo com setores específicos, sinalizar alianças e consolidar pontes eleitorais.

No campo da esquerda, por exemplo, ainda há expectativa sobre o fechamento dessa equação e sobre qual será o papel político reservado à futura pré-candidata a vice.

Já aparecem, nas entrevistas e movimentos públicos dos diferentes grupos, sinais e simbolismos que sugerem o desejo de polarização. Mas é importante separar o desejo estratégico da realidade eleitoral. Polarização se constrói, não se decreta.

Se ela vier, que seja baseada em projetos, prioridades e propostas para o futuro do Rio Grande do Norte e do Brasil. O debate público precisa avançar para temas estruturantes: desenvolvimento regional, geração de oportunidades, segurança, educação e participação social qualificada.

Este tabuleiro político não é formado apenas por peças pretas e brancas. Há múltiplas cores, interesses e trajetórias em movimento. Novas jogadas ainda devem surgir, inclusive com lideranças partidárias redesenhando aproximações, reorganizando alianças ou liberando quadros para diferentes composições.

O tabuleiro está montado. As peças começam a escolher seus campos. Mas as jogadas decisivas ainda estão por vir. O jogo político, agora sim, entra em sua fase mais estratégica.

Thiago Medeiros é sociólogo