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Thiago Medeiros

Indústria do RN: Transformar um dado em crise é um erro político

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quarta-feira 17
Thiago Medeiros
17/06/2026 | 05:04

Os números recentemente divulgados sobre a retração da atividade industrial no Rio Grande do Norte merecem atenção. Afinal, crescimento econômico, geração de empregos e aumento da renda são objetivos permanentes de qualquer sociedade que deseja prosperar. Mas os fatos exigem uma análise mais profunda do que a simples leitura de uma manchete.

A própria composição dos dados mostra que parte significativa da queda observada está concentrada em segmentos ligados ao petróleo, combustíveis e derivados — setores historicamente sujeitos às oscilações do mercado internacional, à variação dos preços globais e a decisões empresariais que ultrapassam as fronteiras do estado.

Indústria RN 01
Indústria do RN: Transformar um dado em crise é um erro político - Foto: Assessoria/Fiern

Isso não significa minimizar o problema. Pelo contrário. Significa compreendê-lo em sua dimensão real para que as respostas sejam construídas com responsabilidade e visão de futuro.

O desenvolvimento econômico não pode ser medido por um único indicador nem por um recorte temporal isolado. Economias são sistemas complexos, influenciados por investimentos, infraestrutura, logística, crédito, ambiente regulatório e, sobretudo, pela confiança dos agentes econômicos.

Nesse contexto, o Rio Grande do Norte atravessa um dos mais importantes ciclos de transformação de sua história recente. O estado reúne hoje um conjunto de investimentos estruturantes que pode redefinir sua posição econômica no Brasil nas próximas décadas.

A recuperação da malha rodoviária, a ampliação da segurança hídrica, os avanços na infraestrutura logística e o fortalecimento das energias renováveis criam condições mais favoráveis para a atração de novos empreendimentos e para a ampliação da competitividade potiguar.

Entre esses projetos, destaca-se o Porto-Indústria Verde de Caiçara do Norte. Associado à cadeia do hidrogênio e da amônia verde, o empreendimento coloca o Rio Grande do Norte em posição estratégica dentro da nova economia global baseada na transição energética. Trata-se de uma oportunidade concreta de atrair investimentos bilionários, ampliar exportações e gerar empregos qualificados.

Da mesma forma, obras como a duplicação da BR-304 e a retomada de investimentos federais em infraestrutura, habitação e educação ajudam a construir as bases para um crescimento mais sustentável e duradouro.

O desafio do momento não é buscar culpados para indicadores conjunturais. É acelerar soluções capazes de transformar potencial em desenvolvimento. O Rio Grande do Norte possui vantagens competitivas raras: localização estratégica, um dos melhores regimes de ventos do planeta, enorme potencial solar, vocação turística consolidada, força no agronegócio e uma população reconhecida por sua capacidade de empreender e inovar.

Os indicadores econômicos servem para alertar e orientar decisões. Mas não devem ser utilizados para alimentar o pessimismo. A economia cresce quando há estabilidade, segurança jurídica, planejamento e confiança no futuro.

Indicadores passam. Investimentos estruturantes permanecem. E é justamente nesses investimentos que o Rio Grande do Norte está construindo as bases do seu próximo ciclo de desenvolvimento.