BUSCAR
BUSCAR
Thiago Medeiros

Navegar é preciso — e governar com rumo também

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quinta-feira 2
Thiago Medeiros
02/07/2026 | 05:09

“Navegar é preciso, viver não é preciso”. A frase eternizada por Fernando Pessoa atravessou gerações como uma metáfora poderosa sobre direção, coragem e a necessidade de seguir adiante mesmo diante das incertezas. Curiosamente, ela parece dialogar diretamente com o momento político e econômico que o Rio Grande do Norte começa a viver às vésperas de mais uma disputa pelo comando do Estado.

As pré-candidaturas ao governo já começam a ocupar espaço no debate público. Discursos aparecem, posicionamentos são construídos e estratégias eleitorais começam a ganhar forma. Mas, em meio a esse inevitável movimento político, existe uma pergunta central que precisa guiar o debate de 2026: quais são os problemas reais que precisam ser enfrentados para destravar o desenvolvimento do Rio Grande do Norte?

Eleição indireta para goveRio Grande do Norteador do RN antecipa processo eleitoral no Estado
Navegar é preciso — e governar com rumo também - Foto: José Aldenir

Durante muito tempo, o Estado acumulou gargalos históricos que afastaram investimentos, retardaram projetos estratégicos e criaram uma sensação permanente de lentidão institucional. Entre esses obstáculos, poucos são tão simbólicos quanto a complexidade do licenciamento ambiental, tema que voltou ao centro das discussões após o envio do novo Código Estadual de Meio Ambiente pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa.

A proposta, que busca substituir uma legislação em vigor desde 2004, representa um movimento importante de modernização institucional. Naturalmente, o texto ainda deverá passar por amplo debate com deputados estaduais, setor produtivo, ambientalistas e diversos segmentos da sociedade. E assim deve ser. Legislações estruturantes precisam nascer do diálogo.

Mas existe um ponto que não pode ser ignorado: há mérito no fato de o governo decidir enfrentar um tema que há anos exige atualização. Simplificar procedimentos, garantir segurança jurídica e tornar processos mais eficientes não significa flexibilizar proteção ambiental. Significa reconhecer que desenvolvimento sustentável também depende de regras claras, modernas e compatíveis com a realidade econômica atual.

Na política, como na navegação, não basta apenas querer chegar ao destino. É preciso ter coordenadas precisas.

Talvez esse seja o grande desafio para quem deseja governar o Rio Grande do Norte nos próximos anos: abandonar debates superficiais e enfrentar, com objetividade, os entraves concretos que impedem o estado de avançar.

Porque em 2026, mais do que disputar uma eleição, será necessário escolher quem realmente sabe navegar. E, sobretudo, quem está disposto a apontar um rumo capaz de deixar legado.