BUSCAR
BUSCAR
Thiago Medeiros

Quem vencerá a guerra invisível da eleição?

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quinta-feira 30
Thiago Medeiros
30/07/2026 | 05:25

As convenções partidárias encerraram um ciclo e abriram outro. Se até aqui a disputa era marcada pela montagem de alianças, definição de candidaturas e demonstrações de força política, agora o cenário muda completamente. A partir deste momento, a eleição entra em sua fase mais estratégica, onde comunicação e direito caminham lado a lado.

É comum que o debate público concentre atenção na propaganda eleitoral, nas redes sociais e nas pesquisas. No entanto, eleições competitivas também são decididas nos tribunais. A batalha jurídica costuma ser silenciosa, mas seus efeitos podem ser tão ou mais relevantes do que um bom programa eleitoral ou um vídeo de grande alcance.

URio Grande do Nortea foto Tânia Rêgo ABr
Quem vencerá a guerra invisível da eleição? - Foto: Tânia Rêgo/ABr

No Rio Grande do Norte, tudo indica que essa será uma campanha marcada por uma intensa judicialização. A interpretação das regras eleitorais, o direito de resposta, os limites da propaganda, os pedidos de retirada de conteúdo e as representações entre adversários devem fazer parte da rotina dos candidatos. Não será surpresa se decisões judiciais passarem a influenciar diretamente o ritmo da campanha.

No campo da comunicação, cada candidatura chega com vantagens e desafios próprios.

Allyson Bezerra inicia a disputa com um dos maiores ativos eleitorais da atualidade: uma presença extremamente consolidada nas redes sociais, onde construiu uma comunicação direta e frequente com o eleitor. Soma-se a isso um bloco partidário robusto — União Brasil/PP, MDB, PSD, Solidariedade/PRD, Republicanos e Avante — que lhe garante aproximadamente 50% do tempo de televisão, oferecendo espaço para apresentar propostas, responder críticas e fortalecer sua imagem perante um público que ainda acompanha o horário eleitoral.

Álvaro Dias, por sua vez, aposta na experiência administrativa e na capacidade de polarizar o debate político. Sua aliança, formada por PL, Podemos, PSDB/Cidadania e Novo, contará com cerca de 26% do tempo de propaganda. Embora disponha de menos tempo de televisão, tende a concentrar sua estratégia em uma comunicação mais objetiva, buscando explorar comparações entre gestões e ampliar o alcance por meio da militância digital e da repercussão espontânea.

Já Cadu Xavier inicia a campanha sustentado pela estrutura política do campo governista, reunindo PT/PV/PCdoB, PDT e PSB, com aproximadamente 22% do horário eleitoral. Seu principal desafio será ampliar seu nível de conhecimento junto ao eleitorado, ao mesmo tempo em que tentará nacionalizar parte do debate e associar sua candidatura às realizações do governo.

Mas a quantidade de minutos na televisão, por si só, não decide eleições. A qualidade da mensagem, a capacidade de mobilização digital e, principalmente, a resistência às disputas judiciais podem alterar significativamente o equilíbrio da corrida.

As convenções terminaram. Agora começa a fase em que cada palavra será medida, cada postagem poderá ser contestada e cada estratégia será testada simultaneamente nas urnas, nas redes sociais e nos tribunais. É nesse tabuleiro, muito mais complexo do que aparenta, que será escrita a verdadeira história da eleição potiguar de 2026.