A eleição de 2026 começa de verdade, no Rio Grande do Norte, a partir desta sexta-feira, 28 de agosto. É quando o horário eleitoral gratuito entra no rádio e na televisão e a disputa deixa de ser apenas uma sucessão de agendas, declarações, alianças e movimentações de bastidores para ganhar uma narrativa mais organizada diante do eleitor. Não é pouca coisa.
As redes sociais mudaram a maneira de fazer campanha, mas não eliminaram a força da televisão e do rádio. As redes, muitas vezes, falam para quem já tem interesse e posição política definida. O horário eleitoral tem outra característica: entra na rotina de quem nem sempre está procurando informação sobre política.

E eleição também se ganha naquilo que o eleitor vê, ouve e passa a reconhecer.
Até aqui, a campanha no RN foi muito mais marcada pela apresentação dos personagens do que pela discussão aprofundada dos projetos. Sabemos quem está com quem, quais lideranças apoiam cada candidatura, quais grupos políticos estão se movimentando e quais imagens cada candidato pretende construir.
Mas ainda vimos pouco de uma discussão mais enfática sobre o que cada um pretende fazer, de fato, para enfrentar os principais problemas do Rio Grande do Norte.
É justamente aí que o horário eleitoral pode mudar o nível da campanha.
O eleitor precisa começar a ouvir mais do que slogans. Quer saber como será a saúde, a segurança, a educação, a infraestrutura, o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e a relação do Estado com os municípios. E, principalmente, quanto custará e como será possível fazer.
Proposta sem explicação é promessa. Programa de governo precisa apresentar caminho.
Allyson Bezerra terá de transformar sua experiência em Mossoró em uma proposta estadual. Não basta mostrar o que foi feito. Será necessário explicar como esse modelo pode funcionar para um Estado com realidades tão diferentes.
Cadu Xavier terá uma tarefa ainda mais delicada: utilizar a força da associação com Lula sem permitir que ela ocupe todo o espaço da candidatura. A presença nacional pode abrir portas, mas será a capacidade de apresentar uma agenda própria para o RN que dará consistência ao projeto.
Álvaro Dias, por sua vez, precisa transformar experiência política e administrativa em uma narrativa de futuro. O discurso de oposição, sozinho, dificilmente será suficiente. É preciso dizer qual Estado pretende construir.
E talvez seja esse o principal teste desta primeira semana de propaganda: descobrir se as campanhas estão preparadas para discutir o Rio Grande do Norte para além da eleição.
Porque o eleitor não escolhe apenas quem parece mais preparado para vencer. Escolhe quem consegue convencê-lo de que sabe o que fazer depois de vencer.
A partir de agora, a campanha deixa de ser apenas movimento político. Começa a ser disputa de narrativa, de propostas, de futuro e também dos ataques.
E essa talvez seja a parte mais importante da eleição.
Thiago Medeiros é sociólogo.