BUSCAR
BUSCAR
Thiago Medeiros

Planos de governo e Visões de Estado

Confira o artigo de Thiago Medeiros desta quinta-feira 6
Thiago Medeiros
06/08/2026 | 05:05

Os planos de governo apresentados pelos candidatos ao Executivo costumam ser lidos como um conjunto de promessas. Mas eles revelam algo muito mais profundo: a visão de Estado que cada grupo político pretende implementar. Mais do que obras, programas ou metas, esses documentos traduzem diferentes formas de compreender o papel do governo, da economia e da própria sociedade.

Na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, esse contraste aparece de forma clara.

Sede da GoveRio Grande do Norteadoria do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo do Estado, em Natal.
Planos de governo e Visões de Estado - Foto: José Aldenir

A candidatura de Cadu Xavier está assentada na continuidade do ciclo iniciado por Fátima Bezerra. A visão predominante é a de um Estado protagonista, capaz de induzir o desenvolvimento econômico, ampliar políticas públicas, fortalecer serviços essenciais e reduzir desigualdades. Nessa concepção, o crescimento econômico deve caminhar junto com inclusão social e planejamento estatal.

Já Allyson Bezerra procura construir uma narrativa diferente. Sua ênfase recai sobre a eficiência da gestão, a inovação administrativa, a descentralização e a capacidade de transformar resultados em política pública. O Estado aparece menos como protagonista da economia e mais como articulador do desenvolvimento, criando condições para que municípios, empreendedores e investidores tenham maior participação.

Por sua vez, Álvaro Dias representa uma visão de oposição ao modelo atual. Sua proposta tende a enfatizar uma administração mais enxuta, redução da burocracia, fortalecimento da iniciativa privada, prioridade para segurança pública e infraestrutura, além da defesa de um ambiente mais favorável aos negócios. O foco desloca-se para um Estado que organiza, regula e estimula a atividade econômica, sem ocupar o centro de todas as ações.

Essa talvez seja a principal diferença da eleição de 2026. Não se trata apenas de decidir quem administrará o Rio Grande do Norte pelos próximos quatro anos. O eleitor será chamado a escolher entre diferentes concepções sobre o papel do Estado no desenvolvimento potiguar.

Naturalmente, há convergências. Todos defendem melhorar a saúde, ampliar investimentos, fortalecer a educação e gerar empregos. A diferença está no caminho proposto para alcançar esses objetivos. Enquanto alguns atribuem ao poder público a liderança desse processo, outros apostam na capacidade de articulação com o setor privado ou na modernização da gestão como motor das transformações.

No fim, os planos de governo valem menos pela quantidade de promessas e mais pela visão de futuro que expressam. É essa visão que orientará prioridades, definirá investimentos e estabelecerá o relacionamento entre governo, sociedade e mercado. A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa entre candidatos. Será, sobretudo, uma escolha entre diferentes projetos de Estado para o Rio Grande do Norte.