BUSCAR
BUSCAR
OPINIÃO

STF, PF e a politização das instituições

Não pretendo, neste espaço, julgar ou analisar o mérito das acusações
Thiago Medeiros
11/09/2026 | 00:39

A nova crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) ganhou uma dimensão que ultrapassa o campo jurídico. Não pretendo, neste espaço, julgar ou analisar o mérito das acusações. Esse papel cabe às instituições competentes, dentro do devido processo legal. O que precisa ser analisado é o mérito político do impacto desses acontecimentos e, principalmente, o comportamento das instituições brasileiras em um momento eleitoral tão sensível.

A pergunta inevitável é: por que agora? Por que hoje? Por que determinados processos e acusações avançam neste momento, enquanto outras questões que atingem diferentes grupos políticos não parecem receber a mesma velocidade ou intensidade? Não se trata de afirmar que exista uma operação política coordenada. Sem provas, seria irresponsável fazê-lo. Mas também não podemos fingir que decisões tomadas às vésperas de uma eleição não produzem efeitos eleitorais.

Edifício do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes, em Brasília
Supremo Tribunal Federal, em Brasília — Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Existe ainda uma preocupação maior: o perigo de o próprio STF ser politizado e polarizado. O Supremo precisa ser criticado, fiscalizado e submetido ao debate público. Mas não pode se transformar em mais um campo de batalha entre torcidas políticas. Quando ministros passam a ser percebidos pela sociedade como integrantes de lados políticos, a autoridade da Corte fica exposta a uma erosão perigosa.

A quem interessa destruir a imagem da mais alta Corte do país? A quem interessa desonrar a Polícia Federal? Quem será beneficiado se STF e PF perderem credibilidade? Essas perguntas precisam estar sobre a mesa, não como acusações, mas como reflexão democrática.

Uma democracia forte não depende de heróis nacionais. Depende de instituições que sejam respeitadas justamente porque funcionam acima das paixões partidárias. O STF não pode ser de esquerda ou de direita. A PF não pode ser de um governo ou de uma oposição. Ambas devem pertencer ao Estado brasileiro.

O problema é que, quando instituições são arrastadas para a polarização, qualquer decisão passa a ser interpretada pelo filtro da disputa eleitoral. Para uns, é perseguição. Para outros, é justiça. Para uns, é abuso. Para outros, é combate à impunidade. E assim o país deixa de discutir fatos, provas e procedimentos para discutir apenas quem ganhou ou perdeu politicamente.

Chega de heróis nacionais. O Brasil já viu esse roteiro e conhece seus efeitos. Estamos diante de mais uma crise institucional em pleno processo eleitoral — e é preciso ter maturidade para perguntar se estamos assistindo apenas a acontecimentos jurídicos ou a um novo ciclo de caos político.

Não cabe antecipar respostas. Cabe exigir transparência, equilíbrio, devido processo legal e tratamento institucional isonômico. Porque, no fim, a pergunta mais importante não é quem vencerá essa disputa. É quem estará de pé quando ela terminar: os grupos políticos ou as instituições da República.