A nova crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) ganhou uma dimensão que ultrapassa o campo jurídico. Não pretendo, neste espaço, julgar ou analisar o mérito das acusações. Esse papel cabe às instituições competentes, dentro do devido processo legal. O que precisa ser analisado é o mérito político do impacto desses acontecimentos e, principalmente, o comportamento das instituições brasileiras em um momento eleitoral tão sensível.
A pergunta inevitável é: por que agora? Por que hoje? Por que determinados processos e acusações avançam neste momento, enquanto outras questões que atingem diferentes grupos políticos não parecem receber a mesma velocidade ou intensidade? Não se trata de afirmar que exista uma operação política coordenada. Sem provas, seria irresponsável fazê-lo. Mas também não podemos fingir que decisões tomadas às vésperas de uma eleição não produzem efeitos eleitorais.

Existe ainda uma preocupação maior: o perigo de o próprio STF ser politizado e polarizado. O Supremo precisa ser criticado, fiscalizado e submetido ao debate público. Mas não pode se transformar em mais um campo de batalha entre torcidas políticas. Quando ministros passam a ser percebidos pela sociedade como integrantes de lados políticos, a autoridade da Corte fica exposta a uma erosão perigosa.
A quem interessa destruir a imagem da mais alta Corte do país? A quem interessa desonrar a Polícia Federal? Quem será beneficiado se STF e PF perderem credibilidade? Essas perguntas precisam estar sobre a mesa, não como acusações, mas como reflexão democrática.
Uma democracia forte não depende de heróis nacionais. Depende de instituições que sejam respeitadas justamente porque funcionam acima das paixões partidárias. O STF não pode ser de esquerda ou de direita. A PF não pode ser de um governo ou de uma oposição. Ambas devem pertencer ao Estado brasileiro.
O problema é que, quando instituições são arrastadas para a polarização, qualquer decisão passa a ser interpretada pelo filtro da disputa eleitoral. Para uns, é perseguição. Para outros, é justiça. Para uns, é abuso. Para outros, é combate à impunidade. E assim o país deixa de discutir fatos, provas e procedimentos para discutir apenas quem ganhou ou perdeu politicamente.
Chega de heróis nacionais. O Brasil já viu esse roteiro e conhece seus efeitos. Estamos diante de mais uma crise institucional em pleno processo eleitoral — e é preciso ter maturidade para perguntar se estamos assistindo apenas a acontecimentos jurídicos ou a um novo ciclo de caos político.
Não cabe antecipar respostas. Cabe exigir transparência, equilíbrio, devido processo legal e tratamento institucional isonômico. Porque, no fim, a pergunta mais importante não é quem vencerá essa disputa. É quem estará de pé quando ela terminar: os grupos políticos ou as instituições da República.