O Ministério Público brasileiro vive no momento seu maior dilema, pós Constituição Federal de 1988. A sociedade clama pelo seu representante junto a comunidade, residindo junto aos munícipes em que atua, vivendo o seu dia a dia e se tornando visível aos olhos do cidadão, conforme preceitua a Constituição Federal de 1988 e a legislação infra constitucional. A instituição ministerial nesses últimos anos disponibilizou sedes próprias, com gabinetes e secretarias, ampla estrutura de trabalho e servidores do seu quadro aptos a dar suporte as atividades de seus membros e em apoio irrestrito a sua atuação.
Fornece terceirizados e agentes de segurança pública e até privados, para dar a tranquilidade no atuar do membro. Disponibiliza todo o material de limpeza e de expediente, cafezinho e água mineral, com modernos computadores, impressoras, móveis e utensílios necessários, além de equipamentos eletrônicos, inclusive de Inteligência Artificial. As sedes dispõem de espaços para receber confortavelmente os cidadãos que procuram atendimento pelo membro. Ou seja, todas as condições para o membro atuar judicialmente e sobretudo de forma extrajudicial. Os membros já tem ampla atuação virtualmente porque todos os processos foram digitalizados e se encontram no PJ-e no âmbito do Poder Judiciário ou no âmbito interno com e-MP. E o que as Corregedorias Gerais e a Corregedoria Nacional vem lamentavelmente constatando é que após a pandemia da COVID-19, quando os membros, os agentes políticos e todos os servidores públicos deveriam ter retornado ao trabalho presencial junto as suas comunidades, alguns não estão se conscientizando dos seus deveres funcionais e tentam de todas as formas escamotear e propagar para a sociedade, brandindo que podem cumprir seu mister de forma híbrida, desde que não seja obrigado a voltar presencialmente as suas comunidades, por pelo menos três dias na semana como determina a lei.

Será que não percebem que estão se distanciando do povo, com esse comportamento? Cadê o Ministério Público raiz que ouvia os reclames da cidadania e como um ombudsman nórdico atuava com resolutividade? Muitos não querem exercer a representatividade sentando a direita dos magistrados junto ao qual oficiam, para cumprir o status constitucional a quem somos indispensáveis na prestação jurisdicional. Outros não querem fiscalizar os poderes públicos, através das visitas presenciais aos equipamentos públicos postos à disposição da sociedade, para aquilatar sua eficiência e buscar dar ao cidadão o serviço de qualidade que tem direito. Não buscam acompanhar as políticas públicas e a elaboração dos orçamentos públicos junto aos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, a pergunta que não quer calar: O que querem neste Século para cumprirem bem seu mister? Uma reforma constitucional que retire suas atribuições e passem para outras instituições? Perder a simetria e isonomia de subsídios com o Poder Judiciário? Que fechem as sedes do Ministério Público? Porque se estes continuarem a querer atuar por trás de um computador somente de modo virtual, ou até híbrido, mas desde que seja um dia ou no máximo dois por semana, de forma presencial, será isso que vai ocorrer. E não digam que não foi por falta de aviso, orientação e cobrança daqueles que querem bem à Instituição e respeitam a cidadania.