Nem os fogos e as fogueiras do São João esquentaram o debate sobre a sucessão na Prefeitura Municipal de Natal. Nenhum tema relevante sobre a cidade entrou na pauta da discussão política, e a sociedade natalense caminha no seu dia a dia, como se não houvesse eleição este ano. O silêncio dos natalenses é rompido por uma pesquisa aqui e outra acolá, revelando o sentimento momentâneo da sociedade.
As candidaturas de Carlos Eduardo (PSD) e Natália Bonavides (PT) sequer definiram o vice-prefeito para compor as chapas. Enquanto isso, Paulinho Freire (União Brasil) fechou sua chapa na primeira hora e conseguiu se descolar de Natália Bonavides (PT), ocupando o segundo lugar, mas ainda longe de Carlos Eduardo (PSD), que continua liderando a corrida rumo ao Palácio Felipe Camarão.

Nessa eleição, muito se tem falado da importância das redes sociais como canais motivadores e capazes de influenciar o voto dos eleitores. Até o momento, nenhuma rede social dos pré-candidatos em Natal disse a que veio, como instrumento capaz de transformar o debate político e influenciar os rumos da eleição. São uma xaropada de pequenas reuniões, abraços, músicas e, eventualmente, uma ou duas frases soltas para agradar correligionários e pré-candidatos a vereadores.
Quais temas irão predominar, quando começarem os debates políticos? Muitos eixos temáticos merecem ser discutidos pelos candidatos com os eleitores, começando pelos direitos básicos, como saúde, educação, segurança e assistência social. A economia geral e popular é importantíssimo para a sociedade, contemplando financiamento público, empreendedorismo cidadão, geração de trabalho e renda, com justiça fiscal. Também é preciso deixar claro como será a mobilização social, a gestão e o orçamento participativo municipal. Outro eixo é o das políticas urbanas, com o transporte público e mobilidade urbana inclusiva, ocupação consciente do solo e planejamento ambiental.
O jornal Folha de São Paulo desta terça-feira abre a sua primeira página com o seguinte título: “97% notam crise de clima no dia a dia, diz Datafolha”. No texto diz: “Pesquisa Datafolha aponta que 97% dos brasileiros percebem em seu dia a dia que o planeta está passando por mudanças climáticas. Somente 2% negam a existência das alterações e 1% não soube responder”.
O natalense vai se interessar pelo tema das mudanças climáticas? Qual a candidatura vai levantar esse debate e propor algo concreto para a adaptação climática de Natal, como redução da poluição, gestão dos resíduos sólidos, drenagem urbana, aumento das áreas verdes e da eficiência energética?
Por enquanto Natal é uma grande festa para os pré-candidatos à prefeitura em suas reuniões nos bairros, com pré-candidatos a vereadores e correligionários. Não faltam músicas, abraços, apertos de mãos e aplausos nas redes sociais. É a superficialidade à toda prova, tomando conta da agenda da sociedade natalense.
Conteúdo sobre os verdadeiros problemas que é bom, continua debaixo do tapete da sala de cada um, como se todas as agruras que a sociedade natalense vive não fossem nada demais. Será que é uma estratégia do marketing de todas as pré campanhas só abrir o debate sobre o que realmente interessa após as convenções? Quem vai puxar a agenda da sociedade para o centro do debate?