Quando aceitou colocar seu nome como pré-candidato ao Governo do Estado, Carlos Eduardo Xavier sabia que tinha três grandes desafios pela frente: defender o legado da governadora Fátima Bezerra, ganhar a confiança do PT e das demais legendas de esquerda, e tornar-se viável junto ao eleitorado.
A primeira tarefa tem sido cumprida com êxito porque Cadu Xavier compõe a equipe econômica desde os primeiros dias do governo petista, conhecendo os meandros da administração.

Profissional de boa retórica, o secretário da Fazenda fala com propriedade de todas as ações governamentais – as exitosas e as nem tanto. De quebra, reduziu um pouco a exposição de Fátima, alvo preferencial das críticas da oposição.
O segundo desafio foi fácil. Logo de cara, Cadu conseguiu unir as diversas correntes do PT e angariar a simpatia dos partidos aliados.
Já o terceiro desafio está, praticamente, no início. A pouco mais de um ano da eleição, Cadu tem rodado o estado para se fazer conhecido. A estratégia é atrelar seu nome a Fátima e também a Lula.
O MDB, partido liderado pelo vice-governador Walter Alves, será fundamental para tornar Cadu Xavier um nome viável nas eleições do próximo ano.
Ontem, Carlos Eduardo Xavier me disse que a aliança política com o MDB está “azeitada” e que sua relação com Walter Alves é “excelente”.
Disse mais: “Todo movimento que eu faço é combinado com Walter”, afirmou, zeloso.
O tempo dirá se está tudo bem. Por ora, Cadu se esforça para deixar as fofocas e as incertezas de lado.
Sem perder o MDB de vista.
ARRASTA-PÉ
Fátima Bezerra deu um tempo nas futricas e viajou para Lille, na França. No domingo 14, houve uma “noite potiguar” no Festival Internacional do Forró de Raiz. A dança nordestina pode virar Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A governadora assinou protocolo de intenções com a Unesco. Ela retorna ao RN nesta terça-feira.
AMPLA, GERAL E IRRESTRITA
Valdemar Costa Neto, manda-chuva do PL, escalou Rogério Marinho (RN) e Carlos Portinho (RJ), para articular a anistia de Bolsonaro no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, quer empurrar o assunto com a barriga. A ordem de Valdemar para os dois senadores é não aceitar proposta que não contemple o ex-presidente, agora condenado.
ATO FALHO
Por falar em Valdemar, a fala dele admitindo que houve planejamento de golpe causou grande confusão. Ontem, ele teve de recuar para diminuir o mal-estar. O “ato falho” do presidente do PL acabou espantando Tarcísio de Freitas de Brasília nesta segunda-feira. O governador de SP era esperado para articular a anistia.
KEITY SABOYA
Ninguém pode ser processado duas vezes pelos mesmos fatos e fundamentos. Esse princípio jurídico é o tema central do livro “Ne bis in idem – História, teoria e perspectivas”, da juíza Keity Saboya, do TJRN. A obra será lançada amanhã 17, na Sala de Sessões da 2ª Turma, Anexo II – B, na sede do STF, em Brasília.
COBERTOR CURTO
O governador em exercício, Walter Alves, assinou ontem a mensagem da Lei Orçamentária Anual de 2026. A LOA prevê receitas de R$ 25,6 bilhões e despesa total de R$ 27,2 bilhões, resultando num déficit de R$ 1,6 bilhão. A bola agora está nos pés dos deputados estaduais.
INSACIÁVEL
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), é nome de Gilberto Kassab para ocupar a vice de Tarcísio de Freitas, caso o governador de SP renuncie para disputar o Planalto. Além de atender o eleitorado feminino, Raquel seria uma ponte com o Nordeste. Detalhe: Kassab tem dois nomes na manga para Presidência da República – Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS).