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Diógenes Dantas

Fala, Ezequiel!

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quinta-feira 28
Diógenes Dantas
28/05/2026 | 05:26

Há uma regra não escrita na política do Rio Grande do Norte: quando alguém diz que sabe o que Ezequiel Ferreira vai fazer, provavelmente não sabe.

O presidente da Assembleia Legislativa passou anos cultivando essa fama. Fala pouco, escuta muito e raramente entrega suas cartas antes da hora.

Fala, Ezequiel! - Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa
Fala, Ezequiel! - Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa

Agora, quando a sucessão estadual entra na reta decisiva, volta a demonstrar que sua principal força política talvez não seja o tamanho do PSDB, mas a capacidade de manter todos os lados na expectativa.

A governadora Fátima Bezerra já pediu diversas vezes seu apoio para a pré-candidatura de Cadu Xavier. O próprio Ezequiel confirmou. Mas fez questão de acrescentar o detalhe mais importante: pedido não é compromisso.

A declaração parece simples. Mas não é.

Ao admitir a pressão da líder petista e, ao mesmo tempo, recusar qualquer definição, Ezequiel reposiciona o PSDB como uma das peças mais disputadas do tabuleiro eleitoral. Cadu precisa dele para ampliar a musculatura da chapa governista.

Allyson Bezerra acompanha cada movimento. Álvaro Dias também mantém as portas abertas.

Ezequiel conversa com todos. Mais do que isso: faz questão de que todos saibam que continua conversando.

Não se trata apenas da disputa pelo Governo do Estado. O cálculo de Ezequiel é outro. O presidente da Assembleia está preocupado com a nominata proporcional, com a eleição dos deputados estaduais — incluindo a própria reeleição — e com a preservação das bases municipais que sustentam o partido. Antes de escolher um governador, quer garantir o tamanho da bancada.

É por isso que resiste à pressa.

Enquanto Cadu espera, Allyson observa e Álvaro acena, Ezequiel ganha tempo, valoriza seu passe e amplia seu poder de negociação.

Se entregar tudo agora, Ezequiel perde valor no mercado político antes das convenções partidárias.
E isso seria uma novidade.

Nem Ezequiel vai falar por Ezequiel.

Abraço de afogados

Reféns do bolsonarismo, Ronaldo Caiado e Romeu Zema ensaiam uma aliança na corrida presidencial. Isso parece mais um abraço de afogados, já que os dois políticos da direita não conseguem crescer nas intenções de voto. Uma coisa é certa: Caiado e Zema nunca contarão com o apoio de Zenaide.

Tour pela Casa Branca

Raquel Krahenbuhl, repórter da Globo na Casa Branca, registrou que o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump foi rápido — tempo suficiente para as fotos de visitante ilustre. Na versão dos Bolsonaro, porém, a reunião com o presidente norte-americano teria durado 1 hora e 40 minutos. Se entrar na conta o chá de cadeira, talvez chegue a isso.

Simpatia quase amor

O doutor Tadeu criou uma nova categoria de adesão eleitoral: a da “atenção especial”. Explico: o prefeito de Caicó anunciou apoio a Ezequiel Ferreira e sinalizou uma atenção especial a Nelter Queiroz. Em outras palavras, cravou o voto em Ezequiel e demonstrou simpatia pelo deputado de Jucurutu.

Mistério no Planalto

A discrição de Lula sobre as sessões de radioterapia surpreendeu até aliados próximos. Alguns descobriram pela imprensa que o presidente iniciaria o tratamento preventivo após a retirada de um câncer de pele no couro cabeludo. A opção pelo silêncio e pela antecipação do procedimento tem provocado estranheza nos bastidores políticos.