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Diógenes Dantas

Eleições 2026: Com um pé lá e outro cá

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quarta-feira 27
Diógenes Dantas
27/05/2026 | 05:54

O eleitor mais atento já percebeu que Rafael Motta e Samanda Alves passaram a investir numa estratégia clara: empurrar a senadora Zenaide Maia para o campo da direita e da oposição estadual.

O objetivo é simples: associá-la ao projeto político de Allyson Bezerra e ao afastamento do grupo da governadora Fátima Bezerra, para reivindicar para si a condição de representantes legítimos do lulismo no Rio Grande do Norte.

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Com um pé lá e outro cá - Foto: Reprodução / Agência Senado / Redes sociais

Não se trata de um ataque frontal. Pelo menos por enquanto.

As mensagens são indiretas, mas suficientemente claras para quem acompanha os bastidores. Rafael publicou que é preciso “descer do muro”. Samanda afirmou que “político não nasceu para ser neutro”.

Nenhum dos dois citou Zenaide nominalmente. Nem precisava. O destinatário era evidente.

A ofensiva tem lógica eleitoral.

Samanda e Rafael disputam praticamente o mesmo eleitor. Ambos dependem do voto de esquerda, do eleitor identificado com Lula e da base política ligada ao PT. Nesse terreno, Zenaide continua sendo uma adversária relevante.

Afinal, apesar do rompimento com o grupo governista potiguar, ela permanece vice-líder do governo Lula no Senado e mantém um histórico de posições progressistas que dificultam qualquer tentativa de enquadrá-la automaticamente no campo conservador.

É justamente essa ambiguidade que está sob ataque.

Em Brasília, Zenaide está ao lado de Lula. No Rio Grande do Norte, está ao lado de Allyson Bezerra. E não apenas do ex-prefeito de Mossoró: também caminha com José Agripino Maia, Robinson Faria, João Maia e outros nomes da direita.

O problema para Rafael e Samanda é que essa posição híbrida permite à senadora conversar simultaneamente com setores do centro, da esquerda e com parcelas do eleitorado moderado que não desejam embarcar na polarização.

Por isso, a pressão para que Zenaide escolha um lado.

Mas Zenaide não nasceu ontem. Conhece o jogo. E, ao que tudo indica, tentará manter a estratégia de sempre: um pé lá e outro cá.

Policlínica

Antônio Jácome saiu em defesa de Allyson Bezerra na polêmica sobre o hospital municipal de Mossoró, que não possui UTI e funciona apenas de segunda a sexta-feira.

— Não tem UTI, mas está funcionando a todo vapor. O centro cirúrgico, as especialidades, as pequenas cirurgias, os exames de ultrassonografia e de endoscopia estão sendo realizados — afirmou, no Contraponto, da 96 FM.

Segundo Jácome, a unidade não abre nos fins de semana porque “ainda não é um hospital de portas abertas”.

Primeiro debate

A Band mantém a tradição da cobertura eleitoral e já marcou a data do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Estado: 9 de agosto. O programa reunirá os principais nomes da disputa e terá mediação da jornalista Anna Ruth Dantas.

Lord Voldemort

Tem bolsonarista chamando o chefão do PL, Valdemar Costa Neto, de “Valdemorte”. Ao afirmar na GloboNews que Flávio Bolsonaro foi à casa de Daniel Vorcaro para cobrar o restante do dinheiro do filme Dark Horse, Valdemar cometeu uma maldade digna do personagem. Há quem enxergue na jogada uma espécie de bruxaria política: enterrar Flávio e entronizar Michelle Bolsonaro na corrida presidencial. Só Harry Potter para decifrar esse feitiço.

Suplência

Styvenson Valentim já comunicou aos aliados do PL que não abre mão de indicar seus suplentes ao Senado. Um deles é pule de dez: Alyandro Rocha, assessor e braço direito do pré-candidato à reeleição.