A desistência de Kelps Lima da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados é muito mais do que a saída de um pré-candidato. É um sintoma das fissuras que atravessam a federação União Progressista no Rio Grande do Norte.
Não se trata de um candidato qualquer. Em 2022, Kelps recebeu mais de 79 mil votos e ficou fora da Câmara apenas por força do quociente eleitoral. Era um nome que entrava na conta da federação para ajudar a elevar o desempenho da nominata e ampliar as chances de reeleição de deputados que hoje ocupam mandato.

Ao abandonar a disputa, Kelps não saiu em silêncio. Preferiu transformar a despedida em um ajuste de contas público. Acusou Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria de boicotarem sua candidatura, afirmou que promessas feitas para viabilizar seu projeto jamais foram cumpridas e revelou que a direção nacional recuou de um compromisso financeiro assumido durante as negociações de sua filiação.
O episódio expõe uma realidade conhecida dos bastidores políticos: alianças eleitorais costumam ser firmadas sobre promessas de apoio político, estrutura e recursos. Quando esses compromissos deixam de ser cumpridos — se é que foram realmente assumidos nos termos narrados por Kelps —, a convivência rapidamente dá lugar ao conflito.
O mais curioso é que, mesmo disparando contra a própria federação, Kelps fez questão de preservar Allyson Bezerra. Reafirmou apoio ao pré-candidato ao Governo do Estado e deixou claro que sua bronca é com a condução da nominata proporcional, não com o projeto majoritário.
A saída produz um efeito imediato. A União Progressista perde um puxador de votos importante justamente quando a montagem das chapas entra na reta decisiva. Os quase 80 mil votos que Kelps demonstrou ter potencial para reunir deixam de ser um ativo da federação e passam a ser uma incógnita no cálculo eleitoral de quem permanece na disputa.
Corre à boca miúda que Kelps Lima pode apoiar o deputado Dr. Bernardo, filiado ao Partido Verde, para deputado federal. Na entrevista desta quinta-feira à 96 FM, evitou falar sobre o assunto. Mas a possibilidade está no ar. Kelps informou, por meio da assessoria, que não anunciou apoio a nenhum candidato.
Fogo amigo
As críticas de aliados de Eduardo Bolsonaro à condução da pré-campanha de Flávio Bolsonaro já chegaram à direção nacional do PL. Segundo interlocutores do partido, dirigentes têm recebido reclamações sobre a estratégia eleitoral e pedidos de mudanças na equipe. Entre os alvos das queixas estão a comunicação da campanha e o coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho.
Mudança de planos
Por meio da rede X, Fátima Bezerra confirmou o retorno de Alexandre Lima ao primeiro escalão do Governo do Estado. Ex-secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, ele assumirá a Secretaria de Planejamento (Seplan), substituindo Virgínia Ferreira, que passa a se dedicar exclusivamente ao Gabinete Civil. O anúncio foi feito pela governadora nas redes sociais.
Fora do páreo
A volta de Alexandre Lima ao governo encerra, na prática, seu projeto de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. Com isso, o PT ganha uma definição importante na montagem da chapa proporcional da federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), já que o economista deixa oficialmente a condição de pré-candidato.
Sinal trocado
A identificação ideológica do eleitor nem sempre acompanha o candidato escolhido. Levantamento do Datafolha mostra que 24% dos eleitores de Lula foram classificados como de direita ou centro-direita. No eleitorado de Flávio Bolsonaro, 19% aparecem na esquerda ou centro-esquerda. A classificação não é feita por autodeclaração, mas por respostas sobre economia, comportamento e valores.
Direita em alta
O mesmo levantamento aponta que a direita e a centro-direita voltaram a ser maioria no país. Segundo o Datafolha, 44% dos brasileiros estão nesse campo ideológico, contra 39% identificados com a esquerda ou centro-esquerda. Os demais, 16%, foram classificados como de centro.