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Diógenes Dantas

Bolsonarismo adverte: nada de moderação

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quinta-feira 23
Diógenes Dantas
23/07/2026 | 05:15

A tentativa de vestir Flávio Bolsonaro com um figurino de candidato moderado sofreu um abalo daqueles.

Desde que foi lançado pelo pai, Jair Bolsonaro, à Presidência da República, o senador vinha sendo apresentado como uma versão mais comedida do bolsonarismo, numa estratégia para reduzir resistências no eleitorado de centro e facilitar pontes com partidos do Centrão. Bastou, porém, uma palestra para embaixadores, em Brasília, na qual voltou a lançar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, para a fantasia cair.

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Bolsonarismo adverte: nada de moderação - Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa

A repercussão foi imediata. O PT de Lula aproveitou o episódio para decretar o fim do discurso da moderação e passou a tratar o senador do PL como uma reprodução política do pai.

No Centrão, potenciais aliados classificaram a declaração como um erro estratégico. Além de ressuscitar um tema que consideravam superado, Flávio adotou um discurso visto como derrotista antes mesmo de a campanha começar.

O episódio também reacendeu as inevitáveis comparações com Jair Bolsonaro. Em 2022, o então presidente atacou o sistema eleitoral diante de embaixadores e acabou condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político, tornando-se inelegível.

Agora, embora o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, considere as declarações de Flávio menos graves do que as feitas pelo pai, ministros do Supremo Tribunal Federal e dirigentes partidários enxergaram uma guinada que distancia o senador do perfil moderado apresentado nos últimos meses.

Flávio até que tentou. Mas, ao voltar a bater na tecla das urnas eletrônicas, acabou mostrando ao eleitor — e aos possíveis aliados — que não há espaço para moderação no bolsonarismo.

Em nome do pai

O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) definiu o advogado Valério Marinho como primeiro suplente da chapa. Ex-presidente da OAB-RN e um dos fundadores da Defensoria Pública do Estado, Valério é pai do senador Rogério Marinho (PL). Entre 2011 e 2019, foi suplente do então senador José Agripino Maia, chegando a exercer o mandato em períodos de afastamento do titular. A escolha completa a chapa do PL para a disputa ao Senado.

Vovozinha

Além do projeto de disputar a presidência do Senado e da ausência de uma aliança formal entre PP e PL, a senadora Tereza Cristina teve um motivo mais prosaico para recusar o convite para ser vice de Flávio Bolsonaro. Segundo Bernardo Mello Franco, de O Globo, ela nunca gostou de ser chamada de “vozinha” pelo presidenciável, que justificava o apelido por uma suposta semelhança da senadora com a própria avó.

Sem fulanização

A escolha do candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro continua em aberto. Coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho afirmou, após reuniões em Brasília com Flávio e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que a definição ainda não foi fechada. Ao ser questionado sobre os nomes em discussão, foi direto: “Prefiro não fulanizar o processo.”

Riscos de manipulação

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, prepara novas exigências para o registro de pesquisas eleitorais. Entre elas, os institutos terão de detalhar previamente o perfil dos entrevistados e poderão ser obrigados a informar os bairros onde a coleta será realizada. A proposta, porém, já desperta críticas de especialistas, que veem risco de interferências indevidas e de manipulação dos levantamentos.

Na margem de erro

A pesquisa Exatus indica que a visita do presidente Lula ao Rio Grande do Norte, no início de julho, teve impacto discreto na pré-candidatura de Cadu Xavier ao governo. Entre maio e julho, o petista passou de 12,6% para 13,7% nas intenções de voto — alta de pouco mais de um ponto percentual. Tudo isso depois do furdunço provocado pela declaração de Lula: “Não conheço Cadu.”