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Diógenes Dantas

O café está ficando frio para Fátima Bezerra

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quinta-feira 16
Diógenes Dantas
16/07/2026 | 05:17

Neste ano da graça de 2026, a governadora Fátima Bezerra só coleciona perdas políticas.

Primeiro, viu a senadora Zenaide Maia, do PSD, desembarcar no projeto de Allyson Bezerra. Depois, perdeu o vice-governador Walter Alves, que levou o MDB para o mesmo palanque. Duas baixas de peso em favor do principal adversário de Cadu Xavier.

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Fátima Bezerra e Ezequiel Ferreira - Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa

A saída de Walter produziu outro efeito político: tirou de Fátima as condições de deixar o governo para disputar uma vaga no Senado.

Agora, a governadora perde Ezequiel Ferreira de Souza. Depois de meses de conversas e especulações, o presidente da Assembleia Legislativa decidiu subir no palanque de Álvaro Dias, aproximando-se do projeto liderado por Rogério Marinho, principal referência do bolsonarismo no Rio Grande do Norte.

A decisão veio na reta final, às vésperas das convenções partidárias.

E talvez doa mais pelo que aconteceu nos bastidores.

Fátima fez o possível para segurar Ezequiel. Ofereceu a segunda vaga para o Senado, a indicação do vice-governador e ainda acenou com apoio ao nome que ele indicasse para sucedê-lo na presidência da Assembleia.

Nem esse combo foi suficiente.

Ao escolher o outro lado, Ezequiel passa um recado que a política entende rapidamente: abandonam-se governos quando deixam de representar perspectiva de poder.

O café esfriou para Fátima Bezerra.

As derrotas sucessivas na montagem de uma aliança que alcançasse o centro e a centro-direita talvez sejam o retrato mais fiel de um governo que perdeu capacidade de atração.

Não deixa de ser simbólico que um aliado que passou sete anos e meio ocupando espaços e indicando cargos na administração petista tenha decidido desembarcar justamente na eleição do sucessor de Fátima.

Agora, resta à governadora juntar os cacos da base política e se agarrar à federação de esquerda.

Fátima sabe que nunca venceu uma eleição majoritária apenas com a esquerda. Sempre precisou atrair o centro, em todos os seus tons de cinza.

Desta vez, porém, chega à sucessão estadual mais isolada politicamente. Sem o centro, resta apostar quase todas as fichas na força eleitoral de Lula.

PSDB + RN

O PSDB realizará no sábado, às 9h, no Olimpo Recepções, em Natal, o evento “PSDB + RN”, que oficializa o apoio do partido à candidatura de Álvaro Dias ao Governo do Estado. Segundo a legenda, a decisão foi aprovada pela maioria dos pré-candidatos tucanos. O encontro reunirá prefeitos, vereadores e lideranças políticas de várias regiões do Estado.

Natal em Natal

O recuo de Carlos Eduardo Alves da pré-candidatura à Assembleia Legislativa para assumir a coordenação da campanha de Allyson Bezerra pode estar ligado a uma outra eleição: a de 2028. Carlos não esconde de ninguém o desejo de disputar a Prefeitura do Natal daqui a dois anos, e Allyson deve ter assumido algum compromisso nesse sentido. Com o aval de Kleber Rodrigues.

O padrinho

Diante do rompimento de Ezequiel Ferreira na sucessão estadual, fica a pergunta: o presidente da Assembleia Legislativa continuará como padrinho político de secretários e de outros ocupantes de cargos no governo? Com a palavra, a governadora Fátima Bezerra.

Diário Oficial

Se decidir manter nomes como o coronel Francisco Araújo (Sesed) e Guilherme Saldanha (Agricultura), ambos apontados como indicações de Ezequiel Ferreira, Fátima Bezerra poderá recorrer a um expediente comum em Brasília: enquadrá-los como auxiliares de sua cota pessoal, sem vinculação partidária. Vale acompanhar as próximas edições do Diário Oficial.