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Diógenes Dantas

Tudo em família: Styvenson poderá indicar irmã para primeira suplência

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quarta-feira 22
Diógenes Dantas
22/07/2026 | 05:56

A repercussão da declaração do senador Styvenson Valentim de que poderá indicar a própria irmã para a primeira suplência de sua candidatura à reeleição é compreensível. Afinal, trata-se de uma escolha que inevitavelmente desperta o debate sobre nepotismo, patrimonialismo e os limites entre confiança pessoal e interesse público.

Mas há um detalhe importante: Styvenson não está inventando essa prática. Está apenas repetindo um velho vício da política brasileira.

Styvenson
Tudo em família: Styvenson poderá indicar irmã para primeira suplência - Foto: Carlos Moura / Agência Senado

Ao longo das últimas décadas, o Senado acumulou casos emblemáticos de suplências ocupadas por parentes. Antônio Carlos Magalhães indicou o filho, ACM Júnior. Edison Lobão fez o mesmo com Lobão Filho. Ciro Nogueira escolheu a mãe, Eliane Nogueira. Vital do Rêgo levou a mãe, Nilda Gondim. Mais recentemente, Davi Alcolumbre manteve o irmão, Josiel Alcolumbre, como primeiro suplente.

A lista mostra que o problema não tem partido nem ideologia. É uma cultura política que atravessa governos, legendas e gerações.

Nada disso torna a escolha de Styvenson menos questionável. Pelo contrário. O fato de ser uma prática antiga não a transforma em uma boa prática.

A suplência no Senado já é um instituto que desperta críticas por permitir que alguém chegue ao mandato sem receber um único voto. Quando essa vaga é reservada a um parente, a sensação de que o cargo pertence à família — e não ao eleitor — apenas se fortalece.

Num ambiente verdadeiramente republicano, esse é um costume que deveria ter ficado no passado.

Eu sou o que sou

Styvenson Valentim voltou a dizer que não é “bolsonarista”. E foi além:

— Ajudo o presidente Lula nas votações que considero benéficas para o povo — afirmou em recente entrevista ao BG, da 96 FM.

A declaração provocou a reação de um bolsonarista de carteirinha, que perguntou:

— O que danado Styvenson quer provar com essa coerência? Que não precisa do voto bolsonarista para se reeleger?

Media training

O pré-candidato ao governo Álvaro Dias (PL) está afastado dos microfones do rádio e da TV há algumas semanas. Por orientação do marketing da pré-campanha, o ex-prefeito de Natal tem se dedicado a um intenso programa de media training. A avaliação é de que, antes de voltar às entrevistas e aos debates, precisa estar preparado para enfrentar temas negativos que deverão ser explorados pelos adversários durante a campanha.

Jean dos Morros

O presidente da Câmara Municipal, Jean dos Morros (PSD), tomou posse como prefeito interino de São Miguel do Gostoso. A solenidade, realizada na terça-feira, reuniu lideranças políticas da região, entre elas o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, e o deputado federal Benes Leocádio. Jean comandará o município até a realização da eleição suplementar que definirá o novo prefeito.

Voto em trânsito

Eleitores que pretendem votar fora do domicílio eleitoral nas eleições de 2026 já podem solicitar o voto em trânsito. O prazo começou na segunda-feira e segue até 20 de agosto. O procedimento permite votar em outra cidade, desde que seja uma capital ou município com mais de 100 mil eleitores. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e o eventual segundo turno, em 25 de outubro.

Autismo

Pré-candidato ao Senado, o vereador Tércio Tinoco (União Brasil) propôs a implantação do primeiro Centro de Atendimento a Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Rio Grande do Norte, caso seja eleito. Em entrevista ao Meio-Dia TCM (95 FM Mossoró), afirmou que o estado é o único do Nordeste sem uma unidade especializada.

— Precisamos colocar em prática o que diz a lei — disse.

Tércio também lembrou que o RN reúne cerca de 400 mil pessoas com deficiência.