A vida do prefeito Paulinho Freire anda desassossegada desde que assumiu a função de coordenador-geral da pré-campanha de Álvaro Dias.
Além dos afazeres na Prefeitura do Natal, Paulinho tem se desdobrado em reuniões políticas que começam nas primeiras horas do dia e avançam noite adentro.

Ontem pela manhã, em um café em Petrópolis, reuniu 17 vereadores e 30 suplentes natalenses em apoio a Álvaro e ao pré-candidato a vice, Babá Pereira. Foi uma demonstração de força para segurar muita gente que andava em conversas com o adversário Allyson Bezerra.
Tudo corria bem até a chegada do Coronel Hélio, pré-candidato ao Senado pelo PL.
Explico: a quase totalidade dos presentes vota em Styvenson Valentim e Zenaide Maia.
A senadora do PSD, aliás, reuniu 20 dos 29 vereadores de Natal na última quinta-feira. Ou seja, não sobrou voto para o coronel.
Até Paulinho ficou em saia justa — Zenaide destinou um volume expressivo de emendas para a capital.
A ideia do prefeito era liberar o segundo voto ao Senado, permitindo que a turma aderisse à senadora sem peso na consciência.
O problema é que Rogério Marinho tem pressionado Paulinho a declarar apoio ao Coronel Hélio, em detrimento dos compromissos assumidos com Zenaide.
Ao que parece, a pressão surtiu efeito.
No ato desta sexta-feira, já na condição de coordenador-geral da pré-campanha de Álvaro e Babá, um visivelmente constrangido Paulinho disse:
— Quero reafirmar meu apoio às candidaturas ao Senado do Coronel Hélio e de Styvenson Valentim.
Lembrei do velho ditado: manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Coveiro
Um observador atento da cena política saiu-se com essa:
— Allyson Bezerra é o maior coveiro das oligarquias no RN. Enterrou a dos Rosados, em Mossoró, e, agora, a dos Alves, em Natal. Mesmo sem mandato, não custa nada recomendar: te cuida, José Agripino! — disse o sujeito, antes de cair na gargalhada.
Descompasso
Cadu Xavier ficou na bronca durante reunião da governadora Fátima Bezerra com a cúpula da articulação da pré-campanha, nesta semana. A discussão girou em torno de prefeitos que admitem votar em Samanda Alves ao Senado sem acompanhar o petista na disputa pelo governo, em razão de compromissos já assumidos.
Voto casado
Na avaliação de Cadu, o voto em Samanda deve estar casado com o dele — e isso deveria ser cobrado das lideranças municipais. Quem conhece minimamente eleição majoritária sabe: para ter alguma chance, Samanda precisará buscar votos em todos os espectros — da esquerda à direita. Vale tudo.
Me engana que eu gosto
Enquanto o PT potiguar aguarda o apoio do PSDB, sob o comando de Ezequiel Ferreira, o senador Rogério Marinho declarou o seguinte, no Contraponto, da 96 FM:
— Não tenho nenhuma dúvida de que Ezequiel estará conosco. Na hora oportuna, tenho a convicção de que estaremos juntos — disse.
Marinho ainda completou:
— Me parece que a Fátima gosta realmente de se enganar.
Chegou tarde
Rogério Marinho rasgou elogios a Flávio Rocha e fez questão de destacar a relação de amizade entre ambos.
Mas, ao tratar da disputa ao Senado, foi direto:
— Coronel Hélio é o nosso pré-candidato — afirmou, na prática fechando a porta para o dono da Riachuelo.