A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), subiu o tom das críticas aos seus principais adversários políticos na disputa estadual de 2026 e procurou demarcar com clareza os campos que, em sua avaliação, estarão em confronto na eleição de 2026.
Em entrevista à TV Ponta Negra nesta segunda-feira 1º, Fátima direcionou ataques especialmente ao ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) e ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), que serão adversários do candidato apoiado por ela, o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT), na disputa pelo Governo do Estado.

Segundo a governadora, Allyson não representa o campo progressista nem o eleitorado alinhado ao presidente Lula, apesar de recentemente ter acenado com pautas simpáticas à esquerda, como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. “A candidatura de Mossoró representa o atraso, ela representa o conservadorismo”, afirmou.
Fátima argumentou que Allyson sempre manteve posição contrária ao PT e a Lula. “O ex-prefeito de Mossoró sempre foi antilulista, foi antipetista. Ele não tem diálogo, por exemplo, com a esquerda”, declarou.
Na avaliação da governadora, a candidatura do ex-prefeito de Mossoró teria se transformado em um ponto de convergência dos grupos políticos tradicionais do Estado. “A candidatura do ex-prefeito de Mossoró hoje reúne em torno de si as velhas oligarquias do Estado. Ou seja, o conservadorismo”, disse.
Ao falar de Álvaro Dias, Fátima procurou estabelecer uma distinção entre os dois adversários. Enquanto associou Allyson ao conservadorismo tradicional potiguar, enquadrou Álvaro no campo do bolsonarismo. “A candidatura do ex-prefeito de Natal representa o bolsonarismo, a extrema direita”, afirmou.
A governadora foi além e classificou o projeto político ligado ao ex-prefeito natalense como uma ameaça institucional. “Representa inclusive ameaça exatamente à democracia. É um projeto de caráter autoritário”, declarou.
As críticas ocorreram durante uma análise sobre o cenário eleitoral para o Governo do Estado. Questionada sobre quem acredita que chegará ao segundo turno, Fátima afirmou que a tendência é de uma polarização entre o candidato governista e Álvaro Dias. “Eu acho que vai terminar sendo exatamente a polarização. A polarização de Cadu, de Lula, e Álvaro, aliado de Bolsonaro”, disse.
A avaliação foi apresentada no momento em que a governadora comentava o desempenho de Cadu nas pesquisas divulgadas nos últimos dias. Segundo ela, o crescimento do ex-secretário da Fazenda não a surpreende porque estaria em sintonia com o que observa nas ruas. “É extraordinário ver o quanto o nome de Cadu cresceu, o quanto o nome dele está se popularizando”, afirmou.
Fátima atribuiu esse avanço às credenciais administrativas do pré-candidato e também ao apoio do presidente Lula, a quem classificou como um fator decisivo para a campanha estadual. “Lula é muito forte. Lula vai ser presidente novamente. Vai ser tetra. E aqui no Nordeste nem se fala”, declarou.
Ao longo da entrevista, a governadora buscou consolidar a narrativa de que apenas uma candidatura representaria efetivamente o campo político liderado pelo presidente da República no Rio Grande do Norte. “A candidatura que de fato representa o campo lulista no Rio Grande do Norte tem um endereço. É a candidatura de Cadu Xavier com Samanda Alves (PT) para o Senado. É essa fotografia”, afirmou.
Ela reforçou o argumento ao afirmar que a aliança governista reproduz, no plano estadual, a composição de forças que sustenta o governo federal. “A candidatura do Cadu é a candidatura que representa o fiel campo progressista e uma aliança de perfil de centro-esquerda no Rio Grande do Norte”, disse.
Fátima também enfatizou que uma das suas estratégias passou a ser transferir seu capital eleitoral para a vereadora Samanda Alves, escolhida pelo PT para concorrer ao Senado. “Esse é o trabalho que nós estamos fazendo e que vamos intensificar cada vez mais”, afirmou, ao ser questionada sobre a transferência de votos.
Ela acrescentou que espera que os eleitores identifiquem a candidatura de Samanda como uma extensão de sua própria candidatura. “Em outubro o que nós esperamos é que Fátima seja Samanda lá na chapa”, declarou.
A governadora também confirmou que trabalha para ampliar a aliança governista e manifestou interesse na permanência do PSDB no grupo político liderado pelo PT. Segundo ela, há conversas para que o partido presidido no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, participe da chapa majoritária, inclusive com a possibilidade de indicar o candidato a vice-governador.
“Tem sim essa possibilidade, colocada concretamente, de o PSDB, em vindo participar da nossa aliança, sugerir o nome para ser o vice de Cadu”, afirmou.