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Saúde da mulher

Síndrome quadruplica risco de problemas cardíacos

Pesquisa com mais de 2,4 milhões de mulheres indica relação entre a condição e maior chance de doenças cardíacas ao longo da vida
Por O Correio de Hoje
27/07/2026 | 18:08

Mulheres diagnosticadas com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp), nova denominação da síndrome dos ovários policísticos (SOP), apresentam risco até 4,4 vezes maior de desenvolver doença cardiovascular aterosclerótica em comparação com aquelas sem a condição. A conclusão é do maior estudo já realizado sobre o tema nos Estados Unidos, publicado na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health. Estima-se que a síndrome afete entre 10% e 13% das mulheres em todo o mundo.

A pesquisa analisou informações de 413.450 mulheres com Somp, entre 18 e 50 anos, comparadas a 2.067.250 mulheres sem a síndrome, pareadas por idade. Os dados foram obtidos no banco Optum Clinformatics, que reúne registros de seguros de saúde entre os anos de 2000 e 2022.

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Síndrome ovariana metabólica poliendócrina afeta entre 10% e 13% das mulheres - Foto: magnific

Os pesquisadores avaliaram um conjunto de doenças cardiovasculares que inclui doença arterial coronariana, doença cerebrovascular e doença arterial periférica. O risco foi 4,4 vezes maior entre as mulheres com Somp, mesmo após ajustes para fatores tradicionais associados a problemas cardíacos, como obesidade, hipertensão arterial e diabetes.

Segundo os autores, essas condições explicam apenas 36% da associação observada entre a síndrome e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O resultado indica que outros mecanismos biológicos característicos da Somp, como o hiperandrogenismo — aumento dos níveis de hormônios masculinos no organismo feminino —, também podem contribuir para o aumento do risco.

O estudo identificou que a associação permaneceu tanto entre mulheres com menos de 40 anos quanto entre aquelas com idade igual ou superior a 40 anos. Além disso, a diferença entre os grupos aumentou ao longo do tempo. Após dez anos de acompanhamento, o risco acumulado de doença cardiovascular chegou a 12,16% entre as pacientes com Somp, enquanto no grupo sem a síndrome foi de 4,21%.

Para confirmar a consistência dos resultados, os pesquisadores realizaram análises complementares, retirando do modelo estatístico o uso de medicamentos como contraceptivos hormonais e metformina e excluindo participantes com informações incompletas sobre raça ou escolaridade. Em todas as avaliações, o aumento do risco cardiovascular permaneceu praticamente inalterado.

Os autores afirmam que os resultados diferem de estudos anteriores, que apresentaram conclusões divergentes. Segundo eles, pesquisas anteriores utilizaram amostras menores e critérios menos uniformes para definir os problemas cardiovasculares analisados, o que pode ter influenciado as diferenças encontradas.

Diante dos resultados, os pesquisadores recomendam que a avaliação do risco cardiovascular seja iniciada logo após o diagnóstico da Somp. Eles também defendem o reforço de orientações sobre controle do peso corporal, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física como medidas para reduzir o risco de complicações ao longo da vida.

A equipe sugere ainda que estudos futuros investiguem se diferentes manifestações clínicas da Somp e tratamentos, como antiandrógenos, metformina e agonistas do GLP-1, podem modificar esse risco, além de avaliar o comportamento da doença após a menopausa.

Os pesquisadores reconhecem limitações na investigação. Os dados foram obtidos a partir de registros administrativos de seguros de saúde, e não de prontuários médicos completos, o que pode gerar imprecisões. Além disso, o estudo não incluiu informações detalhadas sobre colesterol, dados de mortalidade e foi restrito a mulheres seguradas nos Estados Unidos, o que limita a aplicação dos resultados para outras populações.