Relatórios da Polícia Federal enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apontam que o ministro André Mendonça teria adotado critérios diferentes ao analisar pedidos de investigação no caso Banco Master.
Em um dos documentos, a PF também diz que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, poderia ser um “provável alvo estratégico” no caso. Essa é uma avaliação da Polícia Federal, e não uma decisão da Justiça sobre Mendonça, Alcolumbre ou qualquer outro político citado.

PF comparou casos de dois senadores
Segundo os relatórios, a PF comparou os casos dos senadores Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, e Ciro Nogueira, do PP do Piauí. Para os investigadores, Mendonça exigiu níveis diferentes de provas para analisar pedidos contra os dois parlamentares.
No caso de Weverton, o relatório afirma que havia suspeitas, mas faltavam elementos diretos, como conversas com o senador, valores rastreados até ele ou uma ação oficial atribuída a ele. No caso de Ciro, a PF diz que havia mais informações reunidas.
Um dos pontos citados é a chamada “emenda Master”, uma proposta que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. De acordo com a PF, o texto foi elaborado por pessoas ligadas ao Banco Master, enviado à casa de Ciro Nogueira e depois apresentado no Senado.
O relatório diz que os dois casos receberam tratamento diferente, mas não traz uma decisão judicial sobre a responsabilidade dos parlamentares ou do ministro.
Por que Alcolumbre foi citado
A Polícia Federal afirma que Alcolumbre poderia ser visto como um possível alvo por causa de sua força política e da presidência do Senado. O cargo tem influência sobre as pautas da Casa, inclusive pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O documento também lembra que Alcolumbre e Mendonça tiveram divergências na época da indicação de Mendonça ao Supremo, no governo de Jair Bolsonaro. A PF trata esse ponto como uma hipótese que precisa ser apurada, e não como uma conclusão sobre motivação.
Relatório também analisou prazos
A PF comparou o tempo levado para analisar pedidos em outros casos. A lista cita nove dias em uma medida ligada ao senador Jaques Wagner, 29 dias no caso de Ciro Nogueira e até 75 dias em um procedimento sobre o governador Cláudio Castro, do Rio de Janeiro.
Os relatórios não dizem que os prazos foram usados de propósito para ajudar ou prejudicar alguém. A PF apenas afirma que a diferença de tempo merece atenção.
Entenda a crise no STF
Os documentos foram usados por Moraes em um pedido de investigação sobre a atuação de Mendonça no caso Master. O presidente do STF, Edson Fachin, deu cinco dias úteis para Mendonça, Moraes, a Procuradoria-Geral da República e a PF apresentarem informações.
O caso ganhou força depois que Mendonça retirou o sigilo de relatórios sobre contatos entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Moraes. O Agora RN mostrou que Mendonça confirmou um encontro com Vorcaro antes de virar relator do caso. Em outro desdobramento, Fachin pediu explicações aos envolvidos.
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