O senador Rogério Marinho (PL-RN) chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão da esperança” e afirmou que o petista tenta aplicar o “golpe da picanha 2” ao defender a redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários. A declaração foi publicada nesta quinta-feira 3 na rede social X, em resposta a uma postagem na qual Lula criticou a oposição por atuar para impedir o avanço da proposta que acaba com a escala 6×1.
Coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Rogério iniciou a resposta com ataques diretos ao presidente. “Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é. Então, posso afirmar com toda a certeza que é mal-intencionado”, escreveu.

Na sequência, o senador afirmou que a promessa de diminuir a jornada sem reduzir a remuneração produziria consequências negativas para a economia e para os próprios trabalhadores. “Você está aplicando o golpe da picanha 2, tentando fazer o povo acreditar que é possível reduzir a jornada sem redução de remuneração e que isso não terá consequências para todos”, declarou, em referência à promessa feita por Lula na campanha de 2022 de que a população voltaria a comer picanha com a redução do preço dos alimentos.
Segundo Rogério, a aprovação do fim da escala 6×1 provocaria aumento de preços, fechamento de empresas, desemprego e crescimento da informalidade. “Você é um ladrão da esperança. Tem um projeto de poder e não um projeto de país”, acrescentou. O parlamentar destaca que o custo da proposta seria suportado pelo trabalhador.
A resposta ocorreu um dia depois de Rogério ser um dos quatro senadores que registraram voto contrário à Proposta de Emenda à Constituição 221/2019 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Também votaram contra Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). A votação foi simbólica e o texto acabou aprovado pelo colegiado.
A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de repouso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos, e proíbe a redução salarial. Depois da aprovação na CCJ, a matéria segue para o plenário do Senado, onde precisará receber pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos. A votação final deve acontecer após 4 de outubro, quando será realizado o primeiro turno da eleição.
Durante a discussão na comissão, Rogério argumentou que a mudança elevaria os custos das empresas, estimularia a inflação e prejudicaria a geração de empregos formais. O senador também criticou a tentativa de fixar na Constituição uma escala de trabalho uniforme para diferentes setores da economia e defendeu que as jornadas possam ser negociadas entre empregados e empregadores.
O parlamentar reclamou ainda do tempo destinado ao debate e da rejeição das 36 emendas apresentadas à PEC. Rogério pediu vista durante a reunião e apresentou um destaque para manter apenas um dia obrigatório de descanso semanal, mas a proposta foi rejeitada. Também defendeu a PEC 12/2026, de sua autoria, que cria um regime facultativo de contratação por hora trabalhada e permite diferentes jornadas definidas em negociação individual.
Antes da resposta de Rogério, Lula havia acusado a oposição de trabalhar para impedir o avanço da mudança no Senado. Sem mencionar o potiguar nominalmente, o presidente afirmou que o movimento era “capitaneado pelo coordenador da campanha” de seu adversário na disputa presidencial, em referência à atuação de Rogério.
Lula comparou as críticas atuais às resistências enfrentadas por outros direitos trabalhistas. “As justificativas são as de sempre. Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º”, escreveu.
O presidente também sustentou que a escala de seis dias de trabalho por um de descanso prejudica a saúde mental e a convivência familiar. “O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala. O que quebra qualquer família é a sensação de não poder acompanhar os filhos crescerem”, afirmou. Lula encerrou a publicação declarando apoio aos trabalhadores e defendendo a mobilização pelo fim da escala 6×1.