O secretário municipal de Saúde de Parnamirim, Lealdo Pezzi Araújo, foi exonerado do cargo em meio à repercussão da morte de Arthur Kevin Araújo, de 2 anos, após atendimento na UPA Nova Esperança. A exoneração, a pedido, foi determinada pela prefeita Nilda Cruz por meio da Portaria nº 1.322, de 1º de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial do Município desta quarta-feira 2.
Para assumir o comando da Secretaria Municipal de Saúde (Sesad), a prefeita nomeou a enfermeira Ana Michele de Farias Cabral Melo, que foi diretora da UPA entre janeiro e outubro de 2025.

A mudança no comando da Secretaria de Saúde ocorre após familiares e amigos da criança realizarem, na terça-feira 1º, um protesto na Prefeitura para cobrar esclarecimentos sobre a assistência prestada ao menino.
Arthur morreu no sábado 29. Na manhã daquele dia, segundo a família, a criança começou a apresentar febre e recebeu medicamento em casa. Como não apresentou melhora e ficou sonolento, foi levada à UPA Nova Esperança. Os familiares chegaram à unidade por volta das 13h.
De acordo com relatos da mãe, Maria Izabel Alves, Arthur recebeu classificação de risco com pulseira laranja, além de soro e medicamentos. Ela afirma que o filho chegou à unidade com febre e sonolência, mas sem manchas pelo corpo, e que marcas arroxeadas começaram a aparecer enquanto ele recebia atendimento.
A família também questiona a avaliação realizada na UPA. Segundo os familiares, registros acessados posteriormente indicariam frequência cardíaca de aproximadamente 180 batimentos por minuto. Maria Izabel afirma ainda que não foi informada sobre todos os exames realizados e que teve conhecimento de parte deles somente quando buscou o prontuário.
Os familiares afirmam ainda que Arthur não teria sido atendido por pediatra, mas por um clínico-geral. A mãe diz possuir áudios, documentos e outros registros que pretende apresentar durante a investigação.
Laudo preliminar aponta choque séptico
Segundo a família e o advogado Zico Moura, responsável pelo caso, informação preliminar da Polícia Científica do Rio Grande do Norte apontou choque séptico como causa da morte. O documento conclusivo ainda é aguardado.
A informação difere da principal hipótese diagnóstica informada pela direção clínica da UPA após a morte. A diretora clínica da unidade, Adriana Dantas, afirmou anteriormente que a equipe considerou um quadro de meningococcemia fulminante, condição de rápida evolução provocada pela disseminação do meningococo pela corrente sanguínea.
“O quadro foi extremamente grave, de evolução muito rápida. No entanto, todos os protocolos médicos foram instituídos de forma precoce”, declarou a diretora em vídeo divulgado após o caso.
Adriana também respondeu a questionamentos da família sobre contatos realizados por WhatsApp durante o atendimento. Segundo ela, as mensagens tiveram como objetivo buscar uma transferência para um leito de terapia intensiva.
“Todos os contatos de WhatsApp que foram feitos foram na tentativa de dar celeridade a uma transferência para um leito de terapia intensiva para essa criança, sempre com o intuito de oferecer a melhor assistência possível”, afirmou. A defesa da família informou que pretende solicitar documentos para verificar se houve pedido formal de transferência e para qual unidade a solicitação teria sido encaminhada.
Família do menino foi recebida por prefeita
Na terça-feira 1º, familiares e amigos de Arthur realizaram uma manifestação na sede da Prefeitura de Parnamirim. O protesto ocorreu após o sepultamento da criança e teve como objetivo cobrar explicações sobre os procedimentos adotados durante o atendimento.
Após a manifestação, os pais de Arthur e o advogado da família foram recebidos pela prefeita Nilda Cruz e assessores. A reunião durou cerca de uma hora. Ao deixar o encontro, Maria Izabel afirmou que ainda não havia obtido as respostas que buscava.
“Não consigo entender por que demoraram tanto a me dar o prontuário do meu filho. Não consigo entender porque esconderam de mim que fizeram exames nele”, afirmou.
A mãe disse que continuará mobilizada até que as circunstâncias da morte sejam esclarecidas. “Se precisar fazer protesto, farei. Não quero nenhuma violência, nem difamar alguém, baderna. […] Eu quero que lembre o meu filho por justiça”, declarou.
O advogado da família informou que aguarda o laudo conclusivo para avançar na análise do atendimento. Segundo ele, possíveis responsabilidades ainda estão sendo apuradas.
A Prefeitura de Parnamirim informou anteriormente que acompanha o caso e aguardará a conclusão do laudo para que os fatos sejam esclarecidos. Após a morte, a prefeita Nilda Cruz lamentou o ocorrido, manifestou solidariedade à família e determinou a apuração das circunstâncias do atendimento realizado na UPA Nova Esperança.