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Envelhecimento cerebral

Falta de dinheiro afeta cérebro e acelera o envelhecimento

Pesquisa da University College London relaciona baixa renda persistente e problemas financeiros a pior desempenho cognitivo e alterações cerebrais
Por O Correio de Hoje
27/07/2026 | 17:54

Dificuldades financeiras persistentes podem comprometer a saúde do cérebro e acelerar o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento. A conclusão é de um estudo da University College London (UCL), no Reino Unido, publicado na revista científica Innovation in Aging. Segundo os pesquisadores, pessoas que convivem por muitos anos com baixa renda ou dificuldades para pagar despesas apresentam pior desempenho em testes cognitivos e sinais mais acentuados de envelhecimento cerebral.

O estudo acompanhou 2.759 britânicos participantes do MRC National Survey of Health and Development, pesquisa iniciada em 1946 que monitora diferentes aspectos da saúde ao longo da vida. Os voluntários responderam questionários sobre renda e condições financeiras aos 26, 43 e 53 anos.

Renda domiciliar per capita no Brasil é de R$ 2.316 em 2025, aponta IBGE - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Dificuldades financeiras prolongadas podem acelerar envelhecimento do cérebro, aponta estudo - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Foram considerados de baixa renda persistente aqueles que permaneceram entre os 20% com menor renda do grupo em pelo menos duas avaliações, perfil identificado em 16% dos participantes.

Os pesquisadores também analisaram relatos sobre dificuldades para viver com a renda disponível e para quitar contas. As dificuldades financeiras foram classificadas como persistentes quando apareceram em pelo menos duas avaliações realizadas entre os 36 e os 53 anos, situação observada em 12% dos participantes.

Além dos questionários, a equipe aplicou testes para avaliar memória verbal e velocidade de processamento e realizou exames de ressonância magnética para investigar indicadores de saúde cerebral, como atrofia do cérebro e expansão ventricular, alterações associadas ao envelhecimento cerebral.

Os resultados mostraram que pessoas que enfrentaram dificuldades financeiras prolongadas ou permaneceram com baixa renda durante o início e a meia-idade apresentaram desempenho inferior nos testes cognitivos realizados aos 53 anos. Entre os participantes submetidos aos exames de imagem, aqueles com renda persistentemente baixa também apresentaram maior atrofia cerebral entre os 69 e os 71 anos.

Segundo os pesquisadores, a associação permaneceu mesmo após o controle de fatores que poderiam influenciar os resultados, como desempenho cognitivo na infância, escolaridade e condições socioeconômicas vividas nos primeiros anos de vida.

O autor correspondente do estudo, Jacques Wels, da Unidade de Saúde ao Longo da Vida e Envelhecimento da UCL, afirma que a duração das dificuldades financeiras parece ser mais importante do que episódios isolados de adversidade.

“A maioria dos estudos sobre envelhecimento cognitivo analisa as dificuldades financeiras em apenas um momento específico. Nosso estudo, utilizando dados de várias décadas, nos permite observar que é o acúmulo de dificuldades ao longo de muitos anos que está associado aos piores desfechos de saúde cognitiva, e não episódios ocasionais de adversidade”, afirmou.

A autora sênior da pesquisa, Praveetha Patalay, professora da Unidade de Saúde e Envelhecimento ao Longo da Vida e do Centro de Estudos Longitudinais da UCL, destaca que políticas voltadas ao enfrentamento da pobreza também podem trazer benefícios para a saúde cerebral da população.