O Governo do Rio Grande do Norte acaba de anunciar mais um contingenciamento orçamentário.
Desta vez, a tesoura alcança cerca de R$ 500 milhões. Somado ao bloqueio de R$ 306 milhões realizado em abril, o ajuste já ultrapassa R$ 800 milhões neste ano.

Do ponto de vista técnico, o argumento apresentado pela equipe econômica é conhecido: a arrecadação ficou abaixo do esperado e a legislação exige adequar as despesas à receita efetivamente disponível. Nada de extraordinário nisso.
O problema está em outro lugar.
Quando bloqueios dessa magnitude passam a se repetir em curto espaço de tempo, o governo precisa explicar à sociedade não apenas o tamanho dos cortes, mas também as razões da frustração de receitas e as perspectivas para os meses seguintes.
Até agora, as justificativas têm sido econômicas, mas superficiais. A falta de informações mais detalhadas abre espaço para especulações políticas em pleno ano eleitoral.
Não por acaso, os sucessivos contingenciamentos reacendem a discussão sobre a decisão do vice-governador Walter Alves de permanecer fora da sucessão estadual. Nos bastidores, aliados e adversários recordam a advertência atribuída ao vice de que haveria uma espécie de “bomba fiscal” prestes a explodir no colo de quem assumisse o governo.
Não há elementos públicos que confirmem essa tese. Mas a sequência de bloqueios orçamentários acaba alimentando a narrativa e reforçando a necessidade de explicações mais amplas por parte da administração estadual.
O fato concreto está posto: o governo está contingenciando despesas de forma recorrente, e a população tem o direito de conhecer, com transparência, a real dimensão do problema fiscal que motivou essas medidas.
Mais do que anunciar novos cortes, cabe à governadora Fátima Bezerra explicar por que eles estão se tornando tão frequentes.
Santo Antônio casamenteiro
Para escapar das especulações sobre seu futuro político, Milena Galvão embarcou ontem para um período de descanso fora do Estado. Só retorna na segunda semana de junho, quando as fogueiras já estarão acesas para celebrar os santos juninos.
Se essa rua fosse minha
Em live nas redes sociais, Styvenson Valentim leu, rua por rua, a lista de vias contempladas na primeira etapa de um pacote de pavimentação de R$ 20 milhões viabilizado junto à Codevasf. Há ruas de Candelária, Barro Vermelho, Nossa Senhora da Apresentação, Igapó, Potengi e Pajuçara, além de obras previstas para o Planalto e outras regiões de Natal. Foi uma espécie de GPS eleitoral ao vivo.
Pé na estrada
Allyson Bezerra já percorreu mais de 50 municípios no seu programa “167 razões para acreditar”. Nesta sexta-feira, o pré-candidato ao governo começa em Serra Negra e segue para São Vicente, Florânia e Tenente Laurentino. Na segunda-feira, ele pretende completar um terço do percurso eleitoral.
Jornada flexível
Enquanto a Câmara aprovou o fim da escala 6×1, o senador Rogério Marinho apresentou uma PEC que permite ao trabalhador negociar livremente sua jornada, sem perda dos direitos da CLT. O texto, que já conta com o apoio de 36 senadores, é tratado pelo parlamentar como uma alternativa mais flexível à redução obrigatória da carga horária.
Garçom, a conta!
O presidente da Abrasel no Rio Grande do Norte, Thiago Machado, prevê impacto imediato no bolso dos consumidores com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
— Não serão apenas bares e restaurantes que pagarão essa conta, mas o país inteiro — afirmou, em entrevista ao Contraponto, da 96 FM.